A OPA sobre o BPI pode implicar a saída de 1.000 trabalhadores. A revelação apanhou de surpresa a comissão de trabalhadores do banco.

Num relatório sobre a oferta do CaixaBank, a administração do BPI revela que a proposta pressupõe uma redução de 45 milhões de euros nos gastos com pessoal, por conta das sinergias previstas com o banco espanhol o que, a acontecer, implica a saída de 1.000 trabalhadores.

Ao que a TVI apurou, a este número será subtraída a saída de 250 trabalhadores já anunciada pela administração do banco para este ano.

De acordo com o mesmo relatório enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, na redução de pessoal será dada "prioridade a reformas antecipadas e a lay-offs incentivados". Uma perspetiva preocupa os representantes do trabalhadores do BPI, que temem que os trabalhadores fiquem com reformas baixas e que, no segundo caso, saiam prejudicados, bem como o Estado e os contribuintes para "facilitar" uma OPA "estrangeira", segundo o coordenador da comissão de trabalhadores do banco, José Cabrita.

 A UGT, na qual estão filiados os mais importantes sindicatos do setor bancário, recebeu com "estupefação” a possibilidade destes despedimentos e fala em “má-fé negocial”, criticando a ocultação de dados pelo banco.

“Tendo havido, na semana anterior, uma reunião entre os sindicatos da FEBASE e o Banco BPI, onde nada transpirou sobre esta decisão, e não acreditando a UGT, ou os seus sindicatos, que nada sobre esta decisão não estivesse já a ser congeminada no seio da alta direção do banco, lamenta-se profundamente o clima de má-fé negocial com que a banca e alguns banqueiros tratam o diálogo social – a pontapé e de barriga para a frente”, lê-se na resolução do secretariado nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), que é citada pela Lusa.

Recorde-se que entre março de 2014 e março de 2015, o BPI encerrou 46 agências e reduziu o quadro de pessoal em 287 trabalhadores no mercado português. No final do ano de 2015 tinha 597 agências e 5.899 trabalhadores em Portugal. 

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários está a avaliar a possibilidade de requerer a um auditor financeiro independente que avalie o preço do BPI, no âmbito da Oferta Pública de Aquisição que o banco liderado por Fernando Ulrich aceitou ontem, classificando-a como "oportuna" e "amigável"