O Sindicato da Construção de Portugal aconselha os trabalhadores da Soares da Costa com vencimentos em atraso a suspenderem os contratos, para “pelo menos receberem 70% do salário”, se a situação não for regularizada até terça-feira.

Em declarações à agência Lusa no final de um plenário que juntou cerca de três dezenas de trabalhadores em frente aos escritórios da Soares da Costa, em Vila Nova de Gaia, o presidente do sindicato adiantou que os perto de 300 trabalhadores da construtora que estão em situação de inatividade possuem dois meses de salários em atraso, enquanto os que estão em Angola contam já com cinco vencimentos por liquidar.

Adicionalmente, disse Albano Ribeiro, os trabalhadores da empresa em Portugal com vencimentos acima de 1.700 euros há já quatro meses que apenas recebem esta quantia.

Fonte oficial da Soares da Costa esclareceu que “existem verbas disponíveis no banco para pagamento de uma parte muito substancial do que está em atraso aos trabalhadores de Angola”, aguardando-se “a autorização do Banco Nacional de Angola para serem transferidas”. 

“Não tem a ver com disponibilidade de caixa da empresa”, assegurou.

Relativamente aos trabalhadores em Portugal, a empresa diz existirem “situações muito diferenciadas”, sendo “a média de cerca de um mês e meio a dois meses” de salários em atraso, e não avançou uma data para regularização.

Não avançamos uma previsão, mas estamos a fazer um esforço permanente para que a situação seja ultrapassada”, referiu a fonte.

Afirmando ter “conhecimento de que a Soares da Costa tem oito milhões de euros em bancos em Portugal”, o presidente do sindicato afirmou ter convocado o plenário desta sexta-feira, para o qual convidou a administração da construtora, que não compareceu, para que “a empresa explicasse aos trabalhadores por que é que ainda não pagou os salários”.

A Soares da Costa não pode ter oito milhões de euros em bancos em Portugal e não pagar aos trabalhadores. Se a empresa não pagar até terça-feira, os trabalhadores receberam orientação do sindicato para suspenderem os contratos (assim pelo menos recebem 70% do salário e mantêm-se ligados à empresa) ou para recorrerem ao mecanismo da rescisão dos contratos”, afirmou Albano Ribeiro.

À Lusa, a construtora garantiu, contudo, que tal é “falso e um absurdo”, assegurando que “nenhuma empresa manteria dinheiro no banco não pagando aos trabalhadores”. A Soares da Costa anunciou no início de abril que iria proceder ao despedimento coletivo de várias centenas de trabalhadores, tendo o presidente do Conselho Executivo assegurado no passado dia 5 que o processo – que abrange 519 funcionários - é “irreversível” e deverá avançar até final deste mês.

O processo é para avançar e vamos dar[-lhe] um andamento muito rápido. Acreditamos que durante o mês de abril dar-se-á início ao passo seguinte, que é a informação aos trabalhadores e aos órgãos representativos dos trabalhadores e o início do processo de negociação”, afirmou então Joaquim Fitas, acrescentando: “Eu não estou a despedir 500 pessoas. Eu estou a salvar 4.000 empregos porque, apesar de tudo, a Soares da Costa ainda é responsável por pagar 4.000 salários por mês pelo mundo fora”.

Com prejuízos acumulados superiores a 60 milhões de euros, a Soares da Costa é controlada em 66,7% pela GAM Holdings, detida pelo empresário angolano António Mosquito, que entrou no capital da construtora no final de 2013, sendo os restantes 33,3% da SDC – Investimentos (ex-Grupo Soares da Costa).