A redução do desemprego de muito longa duração contribuiu de "forma significativa", em cerca de dois terços, para a diminuição do desemprego total em 2017, segundo uma análise à economia portuguesa do Banco de Portugal (BdP).

No Boletim Económico divulgado hoje, o BdP apresenta uma análise da economia portuguesa em 2017, destacando as melhorias das condições do mercado de trabalho, com um aumento do emprego de 3,3%, "o maior crescimento anual desde o início da área do euro", uma queda da taxa de desemprego para 8,9% e uma diminuição do número total de desempregados em 19,2% em 2017.

Neste contexto, assume particular importância a queda acentuada do desemprego de longa duração em 2017. Este fenómeno foi saliente nos indivíduos desempregados há dois ou mais anos (desemprego de muito longa duração), cujo número registou uma queda de 28,5% em termos médios anuais, contribuindo de forma significativa (menos 13,2 pontos percentuais) para a queda de 19,2% do desemprego total no conjunto do ano", afirma o banco central.

Isto quer dizer que mais de dois terços da redução do desemprego em 2017 são explicados por uma redução do desemprego de longa duração, o contributo mais elevado desde 2013, quando a taxa de desemprego começou a cair (depois de ter atingido um pico de 17,5%), de acordo com os números do BdP.

Segundo a instituição liderada por Carlos Costa, esta "queda substancial" do desemprego de muito longa duração deve-se a "transições significativas" para o emprego e para a inatividade.

Entre os trabalhadores que voltaram a ter emprego, a maioria eram homens entre os 35 e os 54 anos e tinham o ensino básico (ou nenhuma escolaridade), explicam os números da entidade.

A queda significativa do desemprego de muito longa duração foi um dos traços mais marcantes da evolução do mercado de trabalho português em 2017. Não obstante, o peso do desemprego de muito longa duração no desemprego total é ainda significativo (42% em 2017)", alerta o BdP.

Assim, a queda da elevada prevalência do desemprego de muito longa duração "deve assumir um papel central na formulação das políticas de redução do desemprego, sabendo-se do impacto que durações muito prolongadas do desemprego têm na taxa de pobreza, no risco de exclusão social, na incidência de problemas de saúde e no produto potencial da economia", defendo o banco central.

Depois de ter registado um aumento significativo no período 2011-2013, a incidência do desemprego de muito longa duração manteve-se elevada até ao primeiro trimestre do ano passado, apesar de o desemprego total ter começado a cair em 2013.

"Por seu turno, o desemprego de muito longa duração apenas começou a diminuir significativamente a partir de meados de 2015", sendo que no final de 2016 permanecia "acima dos níveis observados no início de 2011, representando cerca de metade da totalidade dos desempregados."

Comparando com o desemprego de curta duração e de média duração, no desemprego de muito longa duração encontram-se menos pessoas com idades inferiores a 35 anos e uma percentagem maior de indivíduos sem escolaridade ou com escolaridade ao nível do ensino básico, características que, segundo o BdP, "estão tipicamente associadas a taxas de transição para o emprego mais baixas, o que poderá ter contribuído para que a incidência do desemprego de muito longa duração se tivesse mantido elevada até ao início de 2017."