A demissão da administração da Caixa Geral de Depósitos foi conhecida na segunda-feira, mas a carta foi enviada ao ministro das Finanças ainda a 21 de junho, segundo o jornal Público. Ora, precisamente um dia antes da conferência de imprensa sobre a CGD que foi convocada por Mário Centeno, uma hora e meia antes do jogo da selecção de futebol com a Hungria, na qual o governante não deu qualquer indicação sobre a saída da equipa de José de Matos e Álvaro Nascimento. 

Nessa carta, a administração tece críticas ao Governo para o qual remete "a responsabilidade pela resposta à indefinição que paira há meses sobre o maior banco do sistema”. A equipa à frente do banco público terminou o seu mandato em dezembro de 2015, pelo que há meio ano que está à espera de uma resposta para o banco público.

Os gestores cansaram-se de esperar, mas apesar de ontem já terem enviado uma mensagem de despedida aos colaboradores, ainda vão ficar a trabalhar, pelo que indicou entretanto o gabinete de Mário Centeno, contactado pela agência Lusa. 

"Ficam em funções até serem substituídos. Não vai haver nenhuma ausência de administração na CGD”.

O mesmo jornal escreve que os “termos da carta que marca a rutura entre a administração da Caixa e o acionista Estado permanecem desconhecidos”, salientando que a notícia da demissão foi mantida num círculo restrito.

O impasse

A futura liderança caberá a António Domingues, vice-presidente do banco concorrente BPI. Esperava-se que fosse nomeado durante a última assembleia-geral, que se realizou no dia 25 de maio. E esse era, de resto, um dos pontos da agenda de trabalhos. No entanto, a reunião foi interrompida.

A equipa atualmente à frente do banco público pediu às Finanças para agilizarem a substituição da administração, mas não terão tido resposta. Daí o desconforto e a tensão crescentes, culminando na carta de demissão, a 21 de Junho. Segundo o Público, a renúncia de funções de Matos e Nascimento tem efeitos a partir de 30 de julho.

O tempo está, portanto, a contar e, para que esse prazo seja cumprido, António Domingues deverá entrar ainda este mês. O ministro das Finanças já tinha prometido que seria em julho, mas não informou qualquer data ao certo. De qualquer modo, sendo o Estado acionista único, pode nomear os novos órgãos sociais da CGD quando entender, sem ter de recorrer a uma assembleia-geral. Embora tenha de consultar a comissão que avalia a nova administração do banco público.

No âmbito do plano de reestruturação, devem ser, afinal, pelo menos 2.500 colaboradores da CGD a sair do banco público.

A Caixa Geral de Depósitos tem sido também notícia pela comissão de inquérito que vai incidir sobre a gestão do banco público desde o ano 2000 e que abordará o processo de recapitalização, atualmente em negociação com Bruxelas. A referida comissão parlamentar toma posse esta terça-feira.