O Banco Central Europeu deve anunciar esta quinta-feira um programa de compra de dívida pública, que tem sido objeto de especulação desde há meses e é visto como um último recurso para impulsionar os preços e a economia.

A decisão poderá sair da primeira reunião do Conselho de Governadores de 2015, ano em que estas reuniões deixam de ser mensais e passam a ser de seis em seis semanas.

Segundo fontes da instituição citadas pela Bloomberg, a instituição propõe investir 50 mil milhões de euros por mês na compra de dívida pública. 

Esta flexibilização deverá manter-se até ao final de 2016, ou seja, esta proposta de compra de dívida soberana estima injetar 1,1 mil milhões de euros na economia nos próximos dois anos. 

Para os analistas, parecem reunidas as condições para que a instituição monetária recorra desde já a esta medida, com a inflação na zona euro a passar para terreno negativo em dezembro (-0,2%), o que acontece pela primeira vez desde 2009, afastando-se cada vez mais do objetivo do BCE de ter uma inflação próxima, mas abaixo de 2%.

Este nível negativo fez ressurgir a ameaça de deflação, uma baixa prolongada do nível geral dos preços e dos salários.

No sábado, o jornal Financial Times escreveu que o BCE e a Alemanha, que tem manifestado reservas em relação a um programa de compra de dívida soberana, terão encontrado um compromisso e que o mais provável é que os bancos centrais dos países da zona euro sejam responsáveis pela dívida do seu próprio país.

O BCE já tentou por outros meios combater a inflação baixa e o crescimento débil da economia ao descer a sua taxa diretora para 0,05%, um mínimo histórico.

A instituição liderada pelo italiano Mario Draghi também anunciou empréstimos em condições mais favoráveis aos bancos e lançou um programa de compra de dívida privada.