A Itália respeita os compromissos em matéria de défice público, mas tem sido muito lenta na redução da sua dívida pública, considerou o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, em entrevista publicada hoje no jornal La Repubblica.

«No que diz respeito ao défice, a Itália está no limite, mesmo que por pouco, da regra dos 3% (...), mas tem de respeitar um ritmo de redução da dívida e não está a fazer isso», afirmou.

O esforço de ajustamento estrutural feito por Roma limita-se a 0,1%, em vez dos 0,5% necessários, apontou. Por esse motivo, a Itália não pode recorrer a uma cláusula que lhe permitiria maior flexibilidade para futuros investimentos, explicou, duas semanas depois de a Comissão Europeia ter feito idêntico reparo ao orçamento italiano para o próximo ano.

Segundo as previsões da Comissão divulgadas no passado dia 5, a dívida de Itália deverá atingir 134% do PIB no próximo ano, um nível recorde e a segunda dívida mais elevada da zona euro, depois da grega.

De acordo com Rehn, o programa de privatizações recentemente apresentado pelo governo italiano só dará «um pequeno contributo» para melhorar o sistema económico e reduzir a dívida.

Quanto à redução da despesa pública, o comissário defendeu que é «muito importante» e deve ser acelerada para ter efeito a partir de 2014.

A Itália, em recessão há dois anos, enfrenta «uma necessidade extrema de relançar a sua economia e a sua competitividade», indicou. «Se conseguir reformar o sistema económico e judicial, pode registar um crescimento maior que o de muitos outros países», afirmou.