A análise é de Bruxelas, numa primeira avaliação do projeto orçamental que o Governo português enviou na semana passada: o défice vai chegar aos 3,4% este ano, bem acima dos 2,6% apontados pelo Governo no esboço do Orçamento do Estado para 2016, apurou a TVI. E sobe mesmo em 2017, para 3,5%.
 
As contas de Bruxelas também antecipam um crescimento económico de apenas 1,6%, ao invés dos 2,1% previstos no documento português e com muitas dúvidas sobre o contributo da procura interna.
 
Um orçamento demasiado otimista, segundo fontes comunitárias, que têm muitas dúvidas sobre as contas portuguesas, nomeadamente relativamente ao saldo estrutural.
 
Enquanto o Governo prevê uma redução de 0,2 pontos percentuais, em Bruxelas acredita-se que o Orçamento, tal como consta do esboço apresentado na semana passada, tem implícito um agravamento do défice estrutural em 1 ponto percentual.
 
Ou seja, a diferença nas contas do ajustamento estrutural de Portugal e Bruxelas é de 1,2 pontos percentuais, o que equivale a mais de 2.200 milhões de euros.

Contactado pela TVI, o Ministério das Finanças não quis fazer qualquer comentário.
 
Para Bruxelas, o Governo está a considerar como medidas estruturais medidas que são extraordinárias, como a sobretaxa de IRS e a reversão dos cortes salariais na Função Pública.
 
O Governo tem até sexta-feira para responder às dúvidas das instâncias comunitárias.
 
primeiro-ministro desvalorizou esta quarta-feira o pedido de explicações feito por Bruxelas, e o ministro das Finanças reiterou que o esboço enviado à Comissã o é “cauteloso”. 


Peritos da Comissão Europeia chegaram esta quinta-feira a Lisboa para negociar um Orçamento do Estado que esteja “em coerência” com as regras europeias e os compromissos assumidos por Portugal, disse o comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici. 

“Os nossos peritos estão desde hoje em Lisboa - e eu estou em contacto permanente com as autoridades portuguesas. É muito importante mantermos negociações estreitas, construtivas e, espero, conclusivas nos próximos dias, com a perspetiva comum de trabalharmos no sentido de que o orçamento português esteja, finalmente, em coerência com as regras do Pacto [de Estabilidade e Crescimento – PEC] e com os compromissos assumidos por Portugal neste quadro”, disse Moscovici, numa conferência de imprensa, em Bruxelas.