Ambos são a favor de um alívio fiscal, mas em tempos e com alcances diferentes. António Costa promete um alívio fiscal para a classe média e a redução do IVA, Passos Coelho também quer um desagravamento de impostos para as famílias, só que no imposto sobre o consumo garante que não mexe. Porque, diz, não vê como.   

"Queremos remover a sobretaxa de IRS nos próximos quatro anos (...) Se eu pudesse apresentar hoje aos portugueses proposta mais simples, vamos baixar e IVA que PS aumentou de 21% para 23%, não estou a ver forma de o poder fazer nos próximos anos e não quero fazer como outros governos fizeram no passado e, por causa das eleições, justamente baixaram o IVA e aumentaram os funcionários públicos e assim comemos um resgate"

António Costa não só promete baixar o IVA, até para, disse, resolver o desemprego de longa duração, como promete também uma baixa de impostos para a classe média: "Com certeza, é isso que propomos". 

O líder socialista recorreu aos seus papéis para dizer que "uma das consequências de o Dr. Passos Coelho ter ido ao longo da troika é que tivemos ao longo da legislatura cerca de 82 alterações ao sistema fiscal, quase todas dirigidas a agravar classe média e IRS".

Um dos eixos do programa socialista é precisamente a revisão dos escalões do Imposto sobre Pessoas Singulares, mas Costa continua sem dizer quantos criará e que progressividade terão. Nem até ao final da campanha deverá levantar o véu. "Não apresentamos agora, porque a informação que é necessário ter para desenhar com correção os escalões, só a teremos com o domínio da máquina fiscal", ou seja, se vier a estar no poder. "Não me atreveria a propor 8 ou 9 escalões e ser apanhado daqui a dois anos". 

Passos Coelho, por sua vez, vincou que o alívio fiscal só pode ser feito com "segurança". "Com segurança posso dizer que queremos desagravar fiscalmente as famílias, dar possibilidade as pessoas que têm mais filhos e idosos a cargo pagarem menos IRS, remover gradualmente a sobretaxa, a reforma IRC que o PS já não quer, mantendo outra coisa importante: combate à evasão fiscal (e-fatura; controlo maior sobre a atividade; pôr mais gente da economia formal na economia informal)". 

Já António Costa assinalou que, sobre o coeficiente familiar, o seu partido quer beneficiar as famílias monoparentais, e as de baixos rendimentos que têm crianças, prometendo que a partir do terceiro escalão haverá direito a abono de família. 

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