O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, admitiu hoje como «possibilidade teórica» o recurso a medidas não convencionais por parte do BCE para o reativar da economia europeia, mas alertou para os riscos de uma nova postura.

Em declarações a jornalistas estrangeiros em Berlim, Weiman sublinhou que o facto de admitir «em abstrato» medidas não convencionais do Banco Central Europeu (BCE) não significa que encare como necessárias novas posturas, tendo em conta o atual contexto macroeconómico.

Sobre o mesmo assunto, acrescentou que é preciso «ter em conta as competências» da autoridade monetária, cuja única missão é o controlo dos preços e não o financiamento dos Estados.

O presidente do Bundesbank enfatizou os riscos que uma decisão deste tipo poderia provocar. De acordo com Weidman, as medidas não convencionais «são território desconhecido», acrescentando que não está provada a «eficácia» de novas posturas que podem implicar «riscos e efeitos secundários».

Weidman referiu-se à possibilidade do emprego das controversas medidas não convencionais, depois de reconhecer que a eurozona, com as taxas de juro a atingirem o mínimo histórico de 0,25%, estão a aproximar-se do limite dos 0% e que, por isso, estão a esgotar-se as medidas convencionais para reativar a economia.

O presidente do Bundesbank aproveitou para animar os países mais afetados pela crise para não se deixarem levar pelo que diz ser «cansaço reformista» e a continuarem a apostar na melhoria da competitividade das próprias economias.

Nesse sentido, sublinhou que as economias mais agastadas pela crise já «carregaram o pior» e que a taxa de juro da dívida soberana da maioria destes Estados está atualmente abaixo dos níveis em que se encontrava antes do inicio da crise.

Weidmann falou também da «estabilidade dos preços» e avançou que até ao final de 2016 não prevê que a inflação supere o objetivo a longo prazo de 2%.