O bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, Domingues Azevedo, considerou esta quinta-feira que o Presidente da República «deu uma sapatada no PSD e no CDS», dizendo-lhes «ponto final, vamos marcar eleições!».

Domingues Azevedo manifestou-se ainda «surpreendido pela positiva» com a «leitura correta» que o Presidente da República fez da situação política do país, considerando que «a austeridade, a forma como estava a ser conduzido todo este processo e a forma como foi negociado o prazo para Portugal cumprir o programa de assistência financeira tornavam inviável esse objetivo», afirmou à Lusa.

«O presidente fez duas coisas muito simples, primeiro, deu uma sapatada no PSD e no CDS, na medida em que, antecipadamente e a prazo, lhes disse: 'os senhores não servem! Ponto final, vamos marcar eleições'. E depois procurou uma espécie de concertação nacional, de esforço extra daqueles que tiveram responsabilidades de governação no sentido de se entenderem até 2014 e encontrarem um consenso capaz de gerir o país», afirmou

À margem da Conferência «A política, os políticos e a gestão dos dinheiros públicos», organizada pela OTOC e a rádio TSF, no âmbito da apresentação do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2011/2012, Domingues Azevedo admitiu que «não estava à espera» da proposta de Cavaco Silva, que considerou «adequada às necessidades de Portugal e à história deste processo».

«Só me resta felicitar o Presidente e esperar que os partidos políticos tenham a inteligência para perceber que há momentos na nossa vida em que, não nos descaracterizando, temos que dar as mãos para construir alguma coisa melhor», disse.

E a «coisa melhor», acrescentou, «passa por renegociar o mais rapidamente possível este memorando com a troika. Aquilo que foi feito desde 2011 são erros de estratégia e de conceção do funcionamento da economia», rematou.

O Presidente da República propôs quarta-feira, numa comunicação ao país, um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e que esse acordo preveja eleições antecipadas a partir de junho de 2014.

Cavaco Silva considerou também «extremamente negativo para o interesse nacional» a realização imediata de eleições legislativas antecipadas.

A declaração do Chefe de Estado surgiu depois de ter ouvido todos os partidos com representação parlamentar e com os parceiros sociais e na sequência do pedido de demissão apresentado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia 02 de julho.