As notícias de Bruxelas fizeram aumentar novamente as filas para as caixas multibanco este domingo em Atenas. Enquanto o governo de Alexis Tsipras e os credores parecem quase de relações cortadas, o pensamento dos gregos parece ser único: levantar o máximo de dinheiro possível.

E porquê? O que pode, então, acontecer agora à Grécia? Uma vez rejeitado pelo Eurogrupo o pedido de extensão do programa de resgate, como irá acordar o país na segunda-feira?

Para tentar controlar os estragos, os governadores do Banco Central Europeu reuniram-se este domingo de emergência. A BBC chegou a avançar que estes se preparavam para  fechar a linha de emergência de liquidez (ELA) que tem financiado os bancos gregos, mas o BCE preferiu mantê-la, mas não reforçá-la, o que, a continuar a fuga de depósitos, irá necessariamente colocar os bancos gregos em maus lençóis nos próximos dias.

A Grécia pode ser assim obrigada a anunciar um feriado bancário esta semana e a impor medidas de controlo de capitais. Isto é, os bancos podem nem abrir esta segunda-feira, impedindo a fuga de depósitos que se tem acentuado nos últimos dias.

O conselho de estabilidade financeira grego vai reunir-se já esta tarde para analisar estas hipóteses e o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, admite ambas.
 
Quando a BBC divulgou esta parte da entrevista, Varoufakis utilizou também o Twitter para esclarecer que não gosta da ideia do controlo de capitais.
 
As medidas de controlo de capitais podem passar por um limite nos levantamentos bancários ou nas transferências para outros países, conforme explicou o editor de Economia da TVI, Vasco Rosendo.

A reação dos mercados esta segunda-feira será mais ou menos previsível: a bolsa de Atenas deverá cair e arrastar outras bolsas europeias. Os efeitos, esses, ainda são imprevisíveis.

No entanto, há responsáveis europeus que não descartam, desde já, o cenário da saída da Grécia do euro.

Ainda este domingo, o ministro das Finanças austríaco afirmou, em entrevista ao Die Presse, que isto "parece quase inevitável”.

Certo é que, a menos que as próximas horas tragam uma negociação de última hora, o programa de resgate vai terminar na terça-feira. Ou seja, no próximo domingo, quando os gregos votarem a proposta dos credores no referendo, esta poderá já nem ser válida, como alertou a diretora do FMI.

No entanto, ainda há uma réstia de esperança. Mesmo com palavras duras perante o parlamento grego, Alexis Tsipras continuou a garantir que está interessado em negociar.
 

"A nossa intenção de obter um compromisso de honra estará sempre sobre a mesa."


Uma das vozes mais pacíficas nas últimas horas foi a do primeiro-ministro francês, que apelou ao Governo grego a "voltar à mesa das negociações".

"As negociações não foram concluídas”, frisou Manuel Valls, acrescentando ainda que o referendo será "a escolha do governo grego, que não pode ser criticada".

Também os credores, como Christine Lagarde, continuam a assegurar que ainda estão dispostos a negociar uma solução essencialmente política que ainda evite que a Grécia entre na bancarrota e possa arrastar alguns parceiros europeus. Como Portugal.