O acordo para um terceiro plano de ajuda à Grécia, alcançado entre Atenas e os seus credores esta madrugada, garantiu ao país "o financiamento de cerca de 85 mil milhões de euros" durante três anos, anunciou o Governo grego, escreve a Lusa.

Em comunicado, o Governo da Grécia disse que com este montante o país poderá "assegurar" uma longa lista de ajustamentos orçamentais e reformas, "cobrir as suas amortizações de empréstimos e os pagamentos em atraso do Estado".

Apesar deste anúncio, as negociações continuam, sendo que até ao momento não há acordo político, disse hoje um porta-voz da Comissão Europeia.

"O que temos até ao momento é um acordo de nível técnico ... e pequenos detalhes precisam de ser finalizados. O que não temos é um acordo político", disse a porta-voz da Comissão Annika Breidthardt, após as autoridades gregas terem anunciado um acordo, depois de longas conversações.

Na segunda-feira foi referido que o Governo grego pretende que o texto do acordo seja votado pelos deputados na quinta-feira, para que seja apresentado no dia seguinte aos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo).

Este cenário, caso se concretize, permitiria a entrada em vigor do novo plano de ajustamento antes de 20 de agosto, data em que a Grécia deve proceder a mais um reembolso ao Banco Central Europeu (BCE) no montante de 3,4 mil milhões de euros.

Uma das questões que permanece: vai o Fundo Monetário Internacional entrar no novo resgate? Entrará com algum financiamento ou remeter-se-á a um papel de mediador? O ministro finlandês das Finanças, Alex Stubb, defendeu esta terça-feira que o FMI deve estar envolvido.

Um porta-voz da Comissão sublinhou que o Fundo disse que não se poderia comprometer com novos empréstimos até aos governos da zona euro tomarem medidas para reduzir a dívida pública de Atenas e até que o governo helénico demonstre que está sério e determinado a implementar as medidas e os cortes prometidos aos credores.
 

Algumas das medidas:

A imprensa grega avança algumas das medidas que constam deste terceiro resgate:

.Redução da despesa com a Segurança Social - 0,5% do PIB ao ano

.Reestruturação da administração pública

. Abolição do teto máximo de 25% para penhoras salariais ou de pensões

. Redução de todos os limites nas penhoras para 1500 euros

 . Supressão gradual das exceções às reformas antecipadas

. Abolição de descontos no IVA das Ilhas a partir de 2017

. Recapitalização dos bancos e travar crédito malparado

. Liberalização do mercado de energia até 2018

. Continuação das privatizações

. Reestruturação da empresa de transportes públicos de Atenas


O calendário

Terça-feira

. Presidente da Comissão Europeia reúne-se com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês, François Hollande

. Reunião por videoconferência dos ministros das Finanças da União Europeia

Quinta-feira

. Parlamento grego reúne-se de emergência para votar o acordo para o terceiro resgate, confirma a AFP

Sexta-feira

. Eurogrupo deverá reunir-se para aprovar o terceiro resgate. Acordo terá depois de ser ratificado por alguns parlamentos de Estados-membros