A DECO admitiu esta quarta-feira que o crescimento do crédito à habitação pode ser “um sinal positivo” para as famílias, mas defendeu a necessidade de o Banco de Portugal estar atento à publicidade “agressiva” feita pelas instituições financeiras.

“Espero que seja um sinal positivo. Para já, quer dizer que tanto a banca está a conceder crédito como as famílias a recorrer a esse mesmo crédito, nomeadamente ao da habitação. Nos anos mais graves da crise, as famílias estiveram fechadas ao crédito porque as instituições não o concediam”, explicou à Lusa Natália Nunes, coordenadora do serviço de apoio de sobre-endividamento da Associação de Defesa do Consumidor).

Segundo a edição desta quarta-feira da imprensa económica, o crédito à habitação está a aumentar pela primeira vez desde o pedido de ajuda externa, uma subida que já não acontecia desde abril de 2011.

Natália Nunes reconheceu que nos últimos tempos inverteu-se o quadro no que respeita à conceção de crédito, lembrando que foi “criada a ideia de que a crise já foi ultrapassada”, com as famílias a “perderem o receio” de pedir empréstimos às instituições financeiras.

“A situação contribuiu para o aumento da concessão do crédito à habitação e tal poderá ser benéfico para as famílias, mas a verdade é que só o será se a contratualização for feita de forma responsável”, explicou, alertando que nos últimos tempos “estão a ser cometidos alguns erros por parte de instituições de crédito em relação à publicidade”.

Desta forma, Natália Nunes defendeu a necessidade de o Banco de Portugal estar atento “aos indícios de crescimento” dos empréstimos aos particulares e, por outro lado, “ter uma especial atenção no que concerne à publicidade que está a ser veiculada pelas instituições de crédito”.

A responsável frisou que as instituições “não estão a violar as disposições legais”, mas considerou dever ser dada especial atenção à publicidade, pois há “um aliciamento para as famílias recorrerem ao crédito”.

“[As instituições de crédito]Começam a ser novamente agressivos. Daí a nossa preocupação. É preciso que as famílias que estão a recorrer ao crédito o façam de uma forma muito responsável porque temos a clara noção de que se criou um clima que levou a que muitas famílias entendam que a sua situação financeira, e a do país, nomeadamente as dificuldades, já foram ultrapassadas. Mas a realidade não é bem esta”, sustentou.