Chegou com cara de poucos amigos e disposto a voltar a pôr a mão em algumas feridas.

Jorge Tomé, ex-presidente do Banif, voltou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao processo de resolução do banco para responder aos deputados, depois de já terem sido ouvidos outros intervenientes no processo, mas vinha com objetivos definidos. Concretamente uma comunicação inicial.

Um comunicado, no qual o  ex-banqueiro volta a reforçar que o banco estava melhor que aquilo se justificou para avançar com a resolução. E frisa, assegurando que pode provar, que “o Banif estava numa trajetória positiva”.

“Muito dificilmente o Banif incumpriria os rácios de capitais mínimos regulamentares, mesmo que fossem registadas, nas contas no final de 2015, as imparidades”, garante.

Pelo que o “Banif, em 2015, não poderia ser declarado insolvente para efeitos de justificação de uma resolução”, acrescentou.

A comunicação tinha outra machadada mas para o Banco Central Europeu. Jorge Tomé não percebe porque razão o BCE “não autorizou a solução de banco de transição” se tal competência era Banco de Portugal.

E vai mais longe. Para o responsável, as recentes declarações da Comissão Europeia revelam que a declaração de ilegalidade não estava iminente e, por tanto “haveria espaço para negociar o plano de reestruturação”. Logo o banco não poderia ser considerado insolvente para ser objeto de resolução, depreende-se das palavras de Jorge Tomé.

O responsável nem sequer percebe porque deixou o Banco de Portugal que o BCE interviesse.

Já na resposta aos deputados, concretamente a Miguel Morgado, pelo PSD, sobre a transferência de ativos com uma desvalorização muito elevada, como imposto na resolução, Jorge Tomé faz questão de dizer que se transformou no  “negócio altamente chorudo” para os fundos e empresas que compram.

Segundo os cálculos do ex-banqueiro, a compra dos ativos mais problemáticos, que estavam imparabilizados – perdas reconhecidas - (em 68%) e colateralizados (a 130%) potenciam uma mais-valia “obviamente superior a 100%”.

Recorde-se que a 20 de Dezembro de 2015, o Governo de António Costa e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander, por 150 milhões de euros, e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.