A Federação dos Sindicatos de Transporte e Comunicações (Fectrans) realçou o «grande impacto» da greve desta quinta-feira nas empresas de transportes públicos CP, CP Carga, Carris, SCTP e Soflusa, com uma participação «muito grande» dos trabalhadores.



«Hoje [quinta-feira], tivemos uma greve em cinco empresas. Qualquer delas teve impacto na atividade dessas mesmas empresas. Continuamos com uma paralisação elevada dos trabalhadores», referiu José Manuel Oliveira, da Fectrans. Citado pela Lusa, o mesmo responsável acrescentou que a circulação de autocarros, barcos e comboios se resumiu «aos serviços mínimos».



No caso da Carris, o dirigente sindical notou que «a adesão ultrapassou os 95 por cento» e sublinhou que os trabalhadores decidiram em plenário realizado esta quinta-feira que vão «continuar a luta».



Também na SCTP, que define «novas formas de luta» na sexta-feira, José Manuel Oliveira avançou com «idêntica paralisação» dos trabalhadores dos autocarros e elétricos do Porto.



Na CP Carga, a greve «quase paralisou toda a atividade, com uma adesão «na ordem dos 75 a 80%», enquanto na CP registou-se «uma paralisação diversificada em diversas regiões, mas com supressões e atrasos na circulação praticamente em toda a rede».



José Manuel Oliveira frisou que o maior impacto da greve dos transportes públicos teve «especial incidência nas linhas de Sintra, Azambuja e de cintura, em que a adesão foi elevada durante o dia e paralisou quase a totalidade da circulação».



O sindicalista alertou ainda para a paralisação das «empresas municipais de transportes públicos» na sexta-feira, dia da greve da Função Pública, para a qual SCTP, Soflusa, CP, CP Carga e Carris «não estão abrangidas por pré-aviso de greve».



Por outro lado, no balanço realizado às 18:00, a CP considerou que o maior número de comboios suprimidos devido à greve desta quinta-feira da CP registou-se na área de Lisboa.



A porta-voz da CP, Ana Portela, referiu à Lusa que «a greve teve maior impacto» na área Metropolitana de Lisboa, com as linhas de Sintra e Azambuja a terem «as maiores perturbações», sem indicar o número preciso de comboios suprimidos.



A porta-voz da CP afirmou que a circulação de composições no Porto ficou em «84 por cento», enquanto nos «comboios regionais foi de quase 100%». Nos comboios Alfa Pendular e Intercidades, Ana Portela frisou que «a circulação foi de 100%».



No total nacional, às 18:00, dos 1087 comboios programados para esta quinta-feira, 707 não se realizaram.



A greve desta quinta-feira foi convocada por diversas organizações sindicais, em protesto pela proposta do Orçamento do Estado, que contempla cortes salariais na esfera empresarial do Estado, a concessão de empresas públicas de transportes a privados e a diminuição das indemnizações compensatórias.