O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) contratou 62 enfermeiros, integrados no grupo de 145 profissionais de saúde a admitir com autorização do Ministério da Saúde, assegurou este domingo à Lusa fonte oficial desta entidade que congrega seis unidades hospitalares.

Os profissionais na área da enfermagem contratados pelo CHLC destinam-se a suprir as dificuldades originadas pela redução de 40 para 35 horas semanais.

De acordo com a fonte do CHLC, "os 62 enfermeiros contratados serão distribuídos com particular incidência pelas unidades que têm urgências abertas", casos da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e dos hospitais São José e Dona Estefânia.

Os restantes 83 profissionais de saúde, já com luz verde da tutela para o CHLC contratar, entre os quais se encontram técnicos de diagnóstico e técnicos superiores, serão admitidos em breve, segundo a mesma fonte.

O CHLC vai também ser reforçado com 54 médicos, cujo concurso nacional aguarda autorização do Governo.

Dois dos 54 médicos serão de obstetrícia, segundo a fonte do CHLC, entidade que integra os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral e Dona Estefânia e a MAC.

Os dois médicos especialistas destinam-se a reforçar o quadro da MAC, onde se regista uma insuficiência de recursos humanos.

As contratações dos médicos, em resposta à demissão dos chefes de urgência do hospital de São José, e as admissões de profissionais de saúde ficaram firmadas na reunião da passada quinta-feira, nesta unidade, com o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

Nesta reunião também estiveram presentes os chefes de equipa que apresentaram a demissão em 06 de julho, em protesto contra a falta de níveis de segurança aceitáveis da urgência daquela unidade.

O ministro da Saúde tinha estado em viagem de trabalho à Grécia, tendo, entretanto, regressado e decidido reunir-se com profissionais do São José e do CHLC.

Na carta de demissão, os profissionais apontavam para a consecutiva degradação da assistência médica prestada no serviço de urgência do São José, considerando que se chegou a uma “situação de emergência”, que impõe “um plano de catástrofe”.

Os chefes de equipa de medicina interna e de cirurgia geral, responsáveis pelos cuidados médicos de urgência prestados durante o seu período de serviço, consideram que as atuais condições de assistência no Serviço de Urgência do Hospital de São José ultrapassaram, em várias das suas vertentes, os limites mínimos de segurança aceitáveis para o tratamento dos doentes críticos que diariamente a ele recorrem”, refere o documento.

Os profissionais indicaram que a assistência médica prestada na urgência polivalente do Centro Hospitalar de Lisboa Central “tem vindo a sofrer, ao longo dos últimos anos, uma degradação progressiva constatada por todos os profissionais” que lá trabalham.

Consideraram ainda que a falta de pessoal não se verifica apenas nas equipas de medicina interna e de cirurgia geral, mas também noutras especialidades implicadas na assistência aos doentes que recorrem ao serviço de urgência.

A situação motivou já uma visita ao hospital São José por parte do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

Na segunda-feira, Miguel Guimarães realiza uma visita à MAC.