O presidente executivo do Banco Santander Totta afirmou hoje que o sistema bancário português vai passar por consolidações devido às necessidades de capital impostas pelas nova regras europeias.

António Vieira Monteiro, que falava aos jornalistas na apresentação das contas semestrais do banco, afirmou que "vai haver consolidações no sistema bancário português" e que "as necessidades de rentabilidade e de capital necessários" para os bancos a isso vai obrigar.

Questionado sobre qual seria o papel do Santander Totta neste processo, o presidente executivo disse que a base de crescimento do banco controlado pelos espanhóis Santander "é de crescimento orgânico" mas simultaneamente não deixará de ter em atenção "tudo aquilo que se passa no mercado" e, se surgirem hipóteses, avançou: "é natural que estejamos lá".

António Vieira Monteiro, que se escusou a responder a qualquer pergunta relacionada com a venda do Novo Banco por ter assinado um acordo de confidencialidade, acrescentou que a consolidação é uma certeza, mas que seria "cedo para responder" sobre a forma como ela se vai realizar.

"Estamos atentos a tudo aquilo que se desenvolve no mercado. Atendendo à nossa dimensão e à posição que temos nos mercados fundamentais estamos sempre atentos a tudo o que se desenvolve nesses mercados", frisou.


Para o gestor, a banca está a viver um "ambiente muito competitivo, quer do ponto de vista da conquista de clientes quer do ponto de vista de 'spreads'", acrescentando que essa competição "é mais alargada porque já há bancos estrangeiros com sedes noutros países a atuar no mercado nacional, mesmo junto das pequenas e médias empresas", pelo que "é natural que os custos do dinheiro continuem a baixar".

O Santander Totta anunciou hoje um aumento dos lucros em 29,2% para os 103,6 milhões de euros no primeiro semestre, em comparação com igual período do ano passado.

António Vieira Monteiro afirmou que estes lucros são "resultados feitos só em Portugal, sem venda de dívida pública ou operações no estrangeiro", pelo devem ser comparados com os restantes bancos a atuar em Portugal nesse sentido.

Em termos de recursos a clientes, estes aumentaram 6% em termos anuais, traduzindo aumentos de 9,1% em depósitos e de 25,6% em fundo de investimento comercializados, adianta a instituição financeira.

O banco ressalta também um crescimento de 97% na produção de crédito à habitação no período de janeiro a junho deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2014, "continuando a reduzir o ritmo de descida da carteira".

A margem financeira cresceu 5,8%, passando dos 267,9 milhões de euros no primeiro semestre do ano passado para 283,4 milhões este ano.

O produto bancário caiu 5,1% para 450,5 milhões de euros.