A construtora aeronáutica Embraer já tem em curso os dois novos projetos de investimento nas fábricas de Évora, num valor global de 93,6 milhões de euros, com apoios comunitários, revelou esta terça-feira o presidente da empresa em Portugal.

“Estamos com o cronograma em dia. Neste momento, estamos a fazer a ampliação das fábricas, estamos a aumentar a de [estruturas] metálicas em oito mil metros quadrados e a adquirir novas máquinas” e “a mesma coisa na de [materiais] compósitos, onde estamos a introduzir novas tecnologias”, disse Paulo Marchioto, presidente da Embraer Portugal.

O responsável falava aos jornalistas durante o Embraer Media Day, realizado esta terça-feira nas fábricas da empresa em Évora, como preparação para o Festival Aéreo de Farnborough, que vai decorrer em Inglaterra, de 11 a 17 de julho.

Segundo Paulo Marchioto, também responsável pelo complexo de Évora, estes investimentos vão equipar as unidades para a produção em série dos E2, a nova geração de aviões comerciais E-Jets da construtora.

A fábrica de estruturas metálicas, disse, vai desenvolver os revestimentos da asa, o conjunto que faz a ligação entre a asa e a fuselagem e outras “peças e partes da própria asa, que será montada no Brasil”.

Já a participação da unidade de materiais compósitos na produção em série dos E2, acrescentou, passa pelo fabrico do “flap” e do “primeiro estabilizador horizontal” feito pela empresa nesse material para um dos seus aviões comerciais.

Os investimentos assentam em contratos de investimento assinados entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em representação do Estado português, e a empresa brasileira, no âmbito do programa comunitário Portugal 2020.

Num investimento total elegível de 93,6 milhões de euros (em termos brutos), o Governo homologou, no global, 34,6 milhões de euros de incentivos financeiros (em termos brutos),

Na fábrica de estruturas metálicas, o investimento é de 63,6 milhões de euros, prevendo criar 199 novos postos de trabalho diretos e permanentes, 21 deles altamente qualificados, até final de 2018.

Na unidade de compósitos, o investimento é de 30 milhões de euros, para criar até meio de 2018, um total de 63 novos postos de trabalho diretos e permanentes, dos quais 10 altamente qualificados.

Estes novos projetos “já estavam previstos no crescimento” programado para as fábricas de Évora, afirmou hoje Paulo Marchioto, antecipando que deem “uma dinâmica maior” às unidades e “ajudem a fomentar a cadeia de fornecimento nacional” da empresa.

As fábricas de Évora contam já com “415 funcionários diretos, mais 100 estagiários e à volta de 112 prestadores de serviços”, o que corresponde “plenamente aos contratos assinados com o Governo português”, aquando da instalação das unidades em Évora, frisou.

Do total de funcionários, “99% são portugueses”, explicou, revelando que “30%” possui curso superior. “É muito importante esse contributo” dado pelas universidades portuguesas para a “alavancagem do negócio” da Embraer em Portugal.

A Embraer tem duas fábricas em Évora, resultantes de um investimento inicial de cerca de 180 milhões de euros, e um centro de engenharia e tecnologia. A totalidade do que produz é para exportação, a qual, até este trimestre, tinha como destino único a casa-mãe no Brasil.

“Neste trimestre, fizemos a primeira exportação para os Estados Unidos da América”, com o envio de um conjunto de peças para uma das unidades da Embraer naquele país, “e há uma primeira venda de serviço para um terceiro, que não a casa-mãe”, congratulou—se o responsável.