Um grupo de construtoras brasileiras envolvido no esquema de corrupção da Petrobras terá desviado aproximadamente 1,1 mil milhão de reais (351 milhões de euros) também em outras obras públicas, segundo um relatório técnico do Tribunal de Contas brasileiro.

De acordo com uma reportagem do diário brasileiro «Estado de São Paulo», que teve acesso às investigações do TCU, segundo a Lusa, o «clube do milhão dos empreiteiros» terá desviado recursos públicos, inflacionando preços de materiais em obras de diversos órgãos e empresas públicas brasileiros.

Entre os contratos superfaturados estariam grandes empreendimentos como a construção de vias ferroviárias, estradas, aeroportos e canais da Transposição do Rio São Francisco, uma obra que envolve o desvio do curso do rio mais importante da região nordeste brasileira.

As empresas investigadas incluem a Andrade e Gutierrez, Camargo e Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão e Valec.

O dado consta de relatórios técnicos ainda não concluídos. Parte das empresas investigadas interpuseram recursos, contestando os critérios usados na auditoria.

As construtoras envolvidas fazem parte da operação «Lava Jato», levada a cabo pela Polícia Federal brasileira, que já prendeu dois ex-diretores da Petrobras, e chegou a 14 executivos ligados às empreiteiras.

A operação iniciou-se em torno de uma rede de branqueamento e envio ilegal de dinheiro para o exterior, que levou à prisão do «doleiro» Alberto Youssef. A partir da sua lista de clientes, os agentes chegaram a uma série de outros nomes, incluindo políticos e executivos da Petrobras.

Um dos primeiros detidos na operação, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, fez um acordo de delação premiada e tem colaborado nas investigações.