O Governo decidiu esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, avançar com uma requisição civil para travar a greve na TAP. 

O objetivo desta decisão é minimizar o impacto da greve de quatro dias, entre 27 e 30 de dezembro, convocada por 12 sindicatos para contestar o relançamento da privatização da companhia aérea.

Segundo o ministro da Economia, a requisição, que abrange 70% dos trabalhadores da TAP, vai permitir realizar todos os voos previstos para os quatro dias de greve.

«Esta decisão visa assegurar serviços essenciais em defesa do interesse público nacional e de setores vitais na economia nacional», justifica o Governo, no comunicado do Conselho de Ministros.

A requisição civil compreende o conjunto de medidas determinadas pelo Governo destinadas a assegurar o regular funcionamento de serviços essenciais e de interesse público ou de setores vitais da economia nacional.

O ministro da Economia defendeu, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros, que «uma situação excecional exige uma tomada de medida excecional» para justificar a decisão do Governo de decretar a requisição civil.

«Uma situação excecional exige uma tomada de medida excecional», defendeu o governante.

O ministro defendeu que «o Estado não pode ficar indiferente a este momento especial», considerando que o interesse público deve prevalecer sobre os interesses particulares.

«Estamos confiantes na bondade da decisão que acabamos de tomar», acrescentou.

A UGT já reagiu: em comunicado, a central sindical considerou «abusiva» e «prematura» a decisão do Governo, «baseada apenas e só em fundamentos políticos».

Mais greves, mais perdas para a companhia aérea

Fonte oficial da companhia aérea adiantou à Lusa esta manhã que os quatro dias de greve, entre 27 e 30 de dezembro, podem representar uma perda de receitas de 36 milhões de euros, uma vez que se trata de uma das semanas do ano com maior tráfego, o que eleva os custos diários para nove milhões de euros.

Os quatro dias de greve dos tripulantes e dos pilotos da Portugalia tiveram um custo direto de 25 milhões de euros em 2014, valor que pode subir até aos 75 milhões de euros, considerando o «efeito completo» de uma paralisação. 

Várias vozes lamentam mais uma greve

O presidente da TAP, Fernando Pinto, foi dos primeiros a lamentar mais uma greve, esta com um maior impacto por ocorrer durante a época natalícia. O gestor admitiu que o resultado previsto para 2014 «dificilmente será atingindo», apontando o dedo ao «impacto das greves», admitindo ter dúvidas de que o negócio do transporte aéreo feche com lucros, podendo interromper cinco anos consecutivos de resultados positivos. 

O Governo também lamentou a paralisação: apelidou a greve de «ato de egoísmo», fez diversos apelos aos sindicatos (sem sucesso) e acabou ontem por garantir que tudo ia fazer para os efeitos não se sentirem de forma tão gravosa, analisando a possibilidade da requisição civil que acabou por avançar.

A comissão de trabalhadores da TAP não tardou a reagir a esta hipótese, considerando a discussão de uma eventual requisição civil em Conselho de Ministros mais uma «provocação», preferindo que o Governo se ocupasse de defender o que consideram «interesse nacional»

Outras companhias aéreas tentam minimizar impacto da greve

Na quarta-feira, a companhia aérea Lufthansa anunciou que vai reforçar o número de voos que ligam Lisboa a Frankfurt nos dias da greve da TAP.

«Devido ao aumento do volume de tráfego, a Lufthansa vai colocar à disposição dos seus clientes na rota Lisboa-Frankfurt, para além dos voos regulares de horário de inverno, um voo adicional nos dias 27, 28, 29 e 30 de dezembro de 2014», afirmou fonte da companhia.

Assim, a companhia vai realizar mais dois voos diários: um, com destino a Frankfurt e que sai de Lisboa pelas 12:15, e um segundo voo, com destino a Lisboa e que sai de Frankfurt pelas 11:25 (hora local).