O embaixador do México em Portugal disse hoje ser uma "importante preocupação para o Governo" do seu país o cancelamento da subconcessão dos transportes públicos de Lisboa, nomeadamente do Metro e Carris, ganha pela mexicana ADO/Avanza.

Em comunicado, a Embaixada do México informou que o embaixador Alfredo Pérez Bravo, que participou hoje num evento organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana, comentou as boas relações que têm vindo a ser desenvolvidas com Portugal e o aumento da presença de empresas portuguesas no México.

No entanto, indicou, "o mesmo não se passou com a empresa mexicana ADO Avanza, que ganhou, num concurso público internacional, o contrato para a subconcessão dos autocarros urbanos da Carris e Metro de Lisboa".

"O seu repentino cancelamento gerou uma importante preocupação para o Governo do México e incerteza entre intervenientes mexicanos, afetando assim as relações económicas entre os dois países", acrescentou.
Alfredo Pérez Bravo mostrou-se, contudo, confiante de que a situação seja resolvida "em breve" e que "os vínculos económicos" entre Portugal e o México sejam retomados.

A subconcessão das empresas públicas de transporte foi lançada pelo Governo de Passos Coelho (PSD/CDS-PP), que atribuiu à Avanza a exploração da Carris e do Metro de Lisboa, à britânica National Express, que detém a espanhola Alsa, a STCP (rodoviária do Porto) e à francesa Transdev o Metro do Porto.

No entanto, nove dias depois de ter entrado em funções, o executivo de António Costa (PS) suspendeu "com efeitos imediatos" o processo.

Hoje, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que tutela os transportes urbanos, assegurou que o fim da concessão dos serviços de Lisboa e do Porto não implica qualquer indemnização e referiu que a gestão dos transportes rodoviários deve ser feita pelas autarquias.