As confederações sindicais reivindicaram estas medidas medidas para melhorar os rendimentos dos trabalhadores e as condições de trabalho, a par dos apoios anunciados pelo Governo à recapitalização e à capacidade de investimento das empresas portuguesas.

"Dissemos ao Governo que é necessário mais um outro documento, que dê resposta aos problemas concretos dos trabalhadores, nomeadamente que combatam a precariedade, melhorem os salários e os rendimentos familiares", disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, aos jornalistas, no final de uma reunião de concertação social, em Lisboa.

A reunião de concertação social desta sexta-feira teve como tema principal as medidas que o Governo está a desenvolver para recapitalizar as empresas, de modo a que possam voltar a investir.

O documento apresentado pelo Governo aos parceiros sociais foi considerado "muito desequilibrado" pelo líder da Intersindical.

"É um documento muito desequilibrado porque inclui um conjunto significativo de medidas de apoio às empresas para os próximos tempos, mas não inclui nada para combater o trabalho precário ou os baixos rendimentos", disse Arménio Carlos.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, considerou, por seu turno, que o apoio às empresas em discussão deve ser extensivo àquelas que produzem para o mercado interno e deve repercutir-se nos rendimentos dos trabalhadores.

"A UGT aplaude os apoios às empresas, mas também quer que seja dada mais atenção ao respeito pelos trabalhadores. Os rendimentos dos trabalhadores não podem continuar a ser uma forma de financiar a economia", disse o sindicalista.

As confederações patronais consideraram positivas as medidas apresentadas pelo Governo mas salientaram a urgência da sua aplicação.

"Consideramos as medidas globalmente positivas, mas fomos muito claros no que dissemos ao ministro da Economia. Queremos medidas concretas e depressa, estamos cansados de propostas", disse aos jornalistas o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, também defendeu a implementação "o mais rápido possível" das medidas de capitalização das empresas e defendeu que a promoção do investimento é igualmente importante.

A reunião desta sexta-feira da comissão permanente de concertação social foi presidida pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que manifestou o desejo de estabelecer um compromisso com os parceiros para que estes trabalhem com o Governo na aplicação das medidas de apoio às empresas.

"Apresentámos aos parceiros sociais um compromisso, que foi bem acolhido, para continuar a ouvir e a trabalhar com os parceiros na implementação destas medidas", disse o ministro aos jornalistas no final do encontro.

Caldeira Cabral considerou que o programa em discussão é positivo para a economia e para as empresas, porque salvaguarda o emprego e o valor das empresas.

"As empresas passam a investir com menos risco, utilizando mais capital e menos endividamento", concluiu.

O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira o Programa Capitalizar, que contém 64 medidas para apoiar o financiamento das micro, pequenas e médias empresas (PME).

As 64 medidas do programa estão organizadas em cinco eixos: simplificação administrativa e enquadramento sistémico, fiscalidade, estruturação empresarial, alavancagem de financiamento e investimento e dinamização do mercado de capitais.