O ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, sublinha que não teve conhecimento de questões particulares relativas ao BES ou ao GES entre junho de 2011 e junho de 2013.

No depoimento escrito enviado aos deputados da comissão de inquérito ao BES, e que a TVI teve acesso, o ex-governante garante que não tinha «qualquer indicação relevante» sobre problemas de gestão no grupo.

Admitindo que teve reuniões com Salgado e outros membros do grupo GES, Gaspar volta a sublinhar que «não decorreu qualquer preocupação particular com a situação do banco ou do grupo».

«Ouvi falar de dificuldades financeiras idiossincráticas no GES no final de 2013. Em termos concretos, soube, mais tarde, das implicações da exposição do BES ao GES pela imprensa especializada internacional», reitera o ex-governante.

Recorde-se que deixou o cargo em julho de 2013.

Vítor Gaspar revela que não foi informado da decisão do Banco de Portugal, «nem tinha de ser». Mas não responde à questão dos deputados se porque é que entre 2011 e a saída de Gaspar do Ministério, nunca houve qualquer referência aos problemas financeiros do grupo nos sucessivos documentos que foram sendo divulgados sobre o sistema financeiro português.

«Não houve qualquer indicação que apontasse para a necessidade de uma intervenção no BES,. Pelo contrário, o BES teve capacidade para realizar um aumento de capital privado», refere na resposta escrita.

Gaspar faz também referência ao livro «O último Banqueiro», quando questionado acerca de uma reunião que manteve com Salgado em que interveio desagradado com as dúvidas que Salgado teria expressado sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa.

«Terei começado por manifestar o meu desagrado. Julgo que terei continuado dizendo que os mercados não teriam dado grande peso às dúvidas expressas. Concluí dizendo que estava convencido que se, por hipótese, eu expressasse dúvidas sobre a dívida do BES a reação do mercados e do público poderia não ser tão benigna».