Os partidos da maioria que compõe o governo, PSD e CDS-PP, solicitaram, esta quarta-feira, mais documentos para se juntarem às centenas que os deputados já têm em sua posse, no âmbito da comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo.

Nos requerimentos apresentados ao presidente da comissão, o social-democrata Fernando Negrão, são pedidos relatórios à auditora PricewaterhouseCoopers; e atas e gravações ao velho BES e ao Novo Banco. 

À PwC, PSD e CDS-PP solicitam:

- o relatório elaborado pela PwC a entidades do GES, a pedido do Banco de Portugal, correspondente ao exercício ETRICC GE
- a análise factual e independente às aplicações de tesouraria efetuadas pelo Grupo Portugal Telecom em títulos da ESI/RioForte, nas suas distintas versões preliminares, designadamente aquelas prévias a qualquer interferência por parte do Grupo Portugal Telecom

A PwC auditou as contas do BES até 2002, altura em que passou o testemunho à KPMG. O presidente da PwC foi ouvido ontem, terça-feira, pelos deputados, e fez algumas revelações sobre os problemas que o banco já tinha 13 anos antes do colapso.

Ao Novo Banco e ao BES são pedidas:

- actas números 300, 301 e 302, correspondentes às reuniões do conselho de adminisitração do BES no segundo semestre de 2013 (e gravações, caso tenham sido efetuadas)

- gravação das reuniões do conselho de administração do BES, designadamente das reuniões de 21.06.2013, 11.07.2014 e 13.07.2014, reuniões em que alguns membros se encontravam fora do país, ocorrendo a sua participação «por via telemática», tendo sido «procedido ao registo do seu conteúdo

Estes requerimentos juntam-se ao do PS, feito também esta semana, para ouvir o ex-ministro e atual membro do Conselho Consultivo Internacional da Goldman Sachs, José Luís Arnaut. 

O pedido de audição, assinado pelos deputados socialistas que integram a comissão, Pedro Nuno Santos, João Galamba, Filipe Neto Brandão, Ana Paula Vitorino e José Magalhães, surge depois de o diário nova-iorquino «Wall Street Journal» ter noticiado que o ex-ministro esteve envolvido nos empréstimos da Goldman Sachs ao banco português, pouco tempo antes da derrocada do Grupo Espírito Santo e do BES.