O ex-administrador do Grupo Espírito Santo, Pedro Mosqueira do Amaral, sucedeu ao pai Mário Mosqueira do Amaral, em março de 2014, quatro meses da derrocada do GES e do BES.

Na sua audição, confessa que ficou «muito assustado» quando percebeu que as contas da Espírito Santo Internacional eram «falsificadas».

O resumo da audição em 6 pontos:

1 - O Banco de Portugal «começou por proteger» o BES. Se Ricardo Salgado continuou na liderança até junho é porque «tinha de ter muita confiança» do supervisor

2 - Recusou qualquer «guerra» com o ex-presidente do BES e líder do GES, mas criticou a falta de transparência em relação às contas, tendo ficado «muito assustado», em outubro de 2013, quando percebeu, pela boca de Salgado, que não eram verdadeiras. Certezas, só as teve em janeiro.3 - Admitiu que o Grupo Espírito Santo, como um todo, «não nadava» em dinheiro, mas «isso não quer dizer que estava falido». Aliás, «nunca» imaginou «um buraco desta dimensão».
 
4 - Foi a geração mais nova da família que quis avançar com mudanças na governance do banco e na sucessão, no Conselho Superior do GES, a 7 de novembro de 2013
 
 5 - Afirmou que Ricardo Salgado «apresentava decisões» ao conselho superior do GES. Não as discutia. Por isso, gestão estava «centralizada numa só pessoa». E Mosqueira do Amaral só passou a ter voto a partir de março, com a morte do pai
 
6 - Era difícil obter informações junto de Salgado. Exemplo disso foi o eventual interesse de investidores venezuelanos no aumento de capital da RioForte, bem como o porquê de o ex-presidente do BES ter recebido uma prenda de 14 milhões de euros do construtor José Guilherme «A resposta que recebemos foi: 'Isto é um assunto pessoal, que não tem nada a ver com o grupo e com o banco'»
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