Manuel Fernando Espírito Santo é ex-administrador do Grupo Espírito Santo. Integrava o conselho superior do GES e disse na comissão de inquérito que Ricardo Salgado «sempre mereceu confiança».

Era tal, que reconheceu ter assinado documentos de cruz, sem ler, passando as culpas para o contabilista Francisco Machado da Cruz, tal como fez o ex-presidente do BES. Sobre o negócio dos submarinos, disse que não se lembra quem lhe pagou 1 milhão de euros.

O resumo da audição em 8 pontos:

1 - «Assinei muitos documentos à base da confiança». A frase marcou a audição, uma vez que descartou responsabilidades pelo colapso

2 – Culpou o contabilista pelo descontrolo das contas, tal como o ex-presidente do BES fez. « Sempre nos foi dito que não era necessário, pelo próprio comissaire aux comptes, que não era preciso consolidar as contas da ESI». «Tivemos muita dificuldade em obter informação»

3 – Embora tenha reconhecido as «críticas relevantes» a Ricardo Salgado, desde setembro de 2013, defendeu-o, ao dizer que assim que ele se apercebeu dos problemas «logo apresentou soluções». «Mereceu sempre confiança»

4 – Disse era apenas um entre 16 administradores. Tinha «noção» do problema de endividamento da ESI, que «se vinha avolumando desde 2008», mas não que fosse «tão elevado». Desculpou-se com a crise como fator de agravamento. Só «no início de 2014» é que percebeu que as contas não refletiam a realidade

5 – Assegurou que o Banco de Portugal estava a par da reestruturação na RioForte. «Acreditei que a RioForte era a solução para salvar o grupo. Acreditámos seriamente no aumento de capital»

6- Embora presidisse à Rio Forte, disse que a dívida não era da sua «competência». Classificou-a como «matéria financeira»

7 - Disse que não se lembra quem lhe pagou 1 milhão de euros, a «retribuição a título especial» que recebeu, a par dos administradores do conselho superior do GES, na sequência do negócio dos submarinos, via Escom
 
8 – Entende que «não é normal» Ricardo Salgado ter recebido uma prenda de 14 milhões de euros de um cliente (o construtor José Guilherme)

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Ex-administrador do GES não se lembra quem lhe pagou 1 milhão de euros