O presidente da Comissão Europeia disse esta quarta-feira que «o Natal chegou mais cedo», na apresentação do plano para a economia europeia, que cria um fundo estratégico para mobilizar 315 mil milhões de euros nos próximos três anos.

Segundo disse Jean-Claude Juncker no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o plano hoje conhecido é «uma mensagem para o mundo, a Europa está de volta ao negócios», sublinhando que que, «mais do que dinheiro fresco», cuja falta tem sido referida como um dos calcanhares de Aquiles deste plano, «o que é preciso é um novo começo, quando a economia europeia estagnada precisa de um novo impulso».

Assim, segundo Juncker, será criado o Fundo Europeu de Investimento Estratégico, dotado de 21 mil milhões de euros, que a Comissão Europeia estima poder multiplicar até 15 vezes, mobilizando 315 mil milhões de euros (entre dinheiro público e privado) para a economia.

Os Estados que quiserem contribuir para esse fundo não precisarão de contabilizar o investimento para o défice, referiu Juncker.

«O dinheiro não cai do céu e não temos uma impressora para o imprimir. Temos de o atrair», declarou Juncker, cujo plano hoje revelado aos eurodeputados prevê que, por cada euro de garantia pública, sejam gerados 15 euros.

O novo fundo europeu será financiado por 16 mil milhões de euros de garantias da União Europeia (8 mil milhões que a Comissão mobiliza do Orçamento comunitário) e 5 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento, que terá um papel-chave no esquema, graças ao seu 'rating' de triplo A (o mais elevado).

Esta quarta-feira, o presidente do BEI, o alemão Werner Hoyer, esteve também no Parlamento Europeu a apresentar o papel da instituição neste plano, que irá abrigar o fundo.

Juncker disse também que quer que o Fundo esteja operacional em junho do próximo ano, para o que precisa do apoio do Conselho e do Parlamento Europeu.

O objetivo da 'Comissão Juncker' é que este plano financie projetos em áreas como infraestruturas de transportes, banda larga, energia, inovação e investigação, energias renováveis, eficiência energética ou educação, apostando em projetos de maior risco.

Segundo o político luxemburguês, depois de vários anos da Europa a «lutar para restaurar a credibilidade orçamental e a promover reformas», hoje foi acrescentado «um terceiro elemento no círculo vicioso, um plano de investimento ambicioso mas realista para a Europa».

A seguir à apresentação deste plano, o presidente do grupo dos Socialistas no Parlamento Europeu, Gianni-Pittella, apoiou o 'Plano Juncker', considerando que depois da «austeridade de Barroso" está a começar uma «nova era de investimento, crescimento e emprego».

Também o grupo do Partido Popular Europeu, atualmente o maior grupo político no PE e que suporta a Comissão, juntamente com os socialistas, apoia este plano.