A Comissão Europeia reviu hoje em alta as projeções de crescimento económico da zona euro para 2017, que estima agora que atinja os 2,2%, “o ritmo mais rápido numa década” e significativamente acima das previsões da primavera (1,7%).

Nas previsões económicas de outono hoje divulgadas em Bruxelas, o executivo comunitário melhora também largamente as perspetivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do conjunto da União Europeia a 28, esperando um valor de 2,3% para o corrente ano, quando nas previsões da primavera, divulgadas em maio, perspetivava 1,9%.

Bruxelas espera que o crescimento económico mantenha o mesmo ritmo nos próximos dois anos tanto na zona euro como no conjunto da UE, projetando valores de 2,1% para 2018 e de 1,9% em 2019, em ambos os casos, o que representa também uma revisão em alta relativamente às anteriores previsões (na primavera avançava com projeções de crescimento do PIB para o próximo ano de 1,8% na zona euro e de 1,9% na UE).

Num primeiro comentário às previsões de outono, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, apontou que, “após cinco anos de uma retoma moderada, o crescimento europeu entrou numa fase de aceleração”, com “boas notícias” em várias frentes – “o número de empregos aumentou, o investimento subiu e as finanças públicas estão a ser fortalecidas” -, mas advertiu que “o nível elevado da dívida e o fraco crescimento dos salários continuam a ser um problema”.

Na análise às novas projeções, a Comissão observa que o desempenho da economia europeia este ano é “claramente melhor do que o previsto”, sobretudo devido à resiliência do consumo privado, do reforço do crescimento mundial e do recuo do desemprego, mas também a um aumento do investimento, “que beneficia de condições de financiamento favoráveis e de um clima económico bem mais sereno, após ter-se dissipado a incerteza”.

“Todos os Estados-membros conhecem atualmente uma fase de expansão económica e veem a situação dos seus mercados de trabalho melhorar, mas os salários progridem apenas lentamente”, aponta o executivo comunitário, que sublinha por diversas vezes “o crescimento atipicamente baixo dos salários”.

Todavia, aponta, o desemprego continua a recuar, esperando agora a Comissão que a taxa de desemprego este ano se situe nos 9,1% na zona euro, o valor mais baixo desde 2008, e desça para os 8,5% em 2018 e para os 7,9% em 2019, enquanto para o conjunto da União antecipa uma taxa de 8,2% em 2017, 7,7% no próximo ano e 7,2% em 2019.

A nível de finanças públicas, a Comissão sublinha que “os Estados-membros da zona euro deverão ver a sua situação orçamental melhorar de forma mais vincada do que previsto na primavera”, estimando que o défice recue de 1,5% do PIB no ano passado para 1,1% este ano, 0,9% em 2018 e 0,8% em 2019 (quando na primavera projetava um défice público na zona euro de 1,4% em 2017 e 1,3% em 2018).

Já a taxa de endividamento média na zona euro deverá passar de 91,1% do PIB em 2016 para 89,3% este ano, 87,2% em 2018 e 85,2% em 2019, valores abaixo daqueles antecipados em maio passado, quando a Comissão previa uma dívida pública no espaço da moeda única de 90,3% em 2017 e de 89,0% em 2018.

Ao contrário do que tem sido hábito em anteriores previsões económicas, a Comissão considera que desta feita os riscos em torno destas projeções de outono “são globalmente equilibrados”, apontando que os maiores riscos de uma revisão em baixa são sobretudo externos, relacionados com tensões geopolíticas como aquela a que se assiste na península coreana, ajustamento económico na China ou expansão do protecionismo.

Na União Europeia, acrescenta, os riscos de um desempenho económico inferior àquele agora projetado relacionam-se sobretudo com o desenrolar das negociações com o Reino Unido para a concretização do ‘Brexit’, uma apreciação mais elevada do euro e taxas de juro a longo prazo mais altas.

“No sentido oposto, uma diminuição da incerteza e uma melhoria do sentimento económico na Europa, assim como um crescimento mais acentuado no resto do mundo, poderá levar a um crescimento ainda mais vigoroso que o previsto na UE”, acrescenta Bruxelas.