A Comissão Europeia recordou esta segunda-feira que há muito tempo que manifestava preocupações relativamente à viabilidade a longo prazo do Banif, mas sublinhou que a decisão de resolução do banco é da responsabilidade das autoridades nacionais.

Na conferência de imprensa diária do executivo comunitário, e quando questionada sobre a razão pela qual a resolução do Banif não foi decidida antes, atendendo a que Portugal esteve sob programa de assistência financeira durante três anos (2011-2014), com dinheiro especificamente para o setor bancário, uma porta-voz da Comissão apontou que há já cerca de três anos que havia "contactos constantes" entre Bruxelas e Lisboa.

Apontando que o caso Banif “tem um longo historial” e já em janeiro de 2013 a Comissão aprovou temporariamente uma ajuda estatal, “finalmente aprovada hoje”, Lucia Caudet sublinhou que, desde então, foram “constantes” os contactos com as autoridades portuguesas “sobre como planeavam restaurar a viabilidade a longo prazo do banco“.

“Em julho de 2015 abrimos uma investigação formal, devido às nossas preocupações quanto às hipóteses de ser restaurada a viabilidade a longo prazo (do banco), e agora, na sequência dessas discussões, foram as autoridades portuguesas que tomaram a decisão de colocar o Banif em resolução, e são elas que são responsáveis pelo processo e pela escolha do comprador. Do ponto de vista da Comissão, o nosso papel é avaliar que o que quer que seja feito respeita as regras de ajudas estatais”, declarou.


A Comissão Europeia aprovou um auxílio adicional até três mil milhões de euros para a resolução do banco português Banif e a venda de ativos ao Banco Santander Totta. Contas feitas os cofres públicos sofrem um "rombo" de cerca de quatro mil milhões.

O Governo e o Banco de Portugal decidiram no domingo a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta po r 150 milhões de euros, anunciou o Banco de Portugal em comunicado no domingo.

Sobre o processo, a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, comentou que os bancos “não podem ser mantidos artificialmente no mercado, usando o dinheiro dos contribuintes”.

O primeiro-ministro António Costa admitiu que avenda da participação do Estado no Banif ao Santander Totta “tem  um custo muito elevado para os contribuintes”, mas defende que é melhor de entre todas as soluções avaliadas.  
  
Os clientes do Banif passam a ser clientes do Banco Santander Totta e as agências do Banif passar a ser agências do banco que comprou a sua atividade.