A Comissão Europeia contrariou hoje o Governo e diz que ainda não é possível concluir que o emprego criado nos últimos trimestres é resultado das reformas no mercado laboral e questiona se esta criação de emprego é duradoura.

Na análise que faz da décima avaliação do programa, Bruxelas diz que o Governo defendeu que a criação líquida de emprego tem acontecido em especial no setor transacionável da economia, um desenvolvimento que acontece em linha com o reequilíbrio da economia.

No entanto, a CE não tem a mesma convicção e põe em causa não só a proveniência, como a sustentabilidade dos números que o Governo defende.

«Não é claro que esta [criação de emprego] seja de natureza permanente», dizem os técnicos.

Bruxelas diz mesmo que ainda não é possível tirar conclusões sobre estes novos empregos, especialmente devido à extensão do prazo dos contratos com termo certo, e porque a redução do desemprego tem sido muito devida ao menor número de rescisões de contrato.

Aliás, segundo Bruxelas, o Governo terá admitido que 16% dos trabalhadores com contratos a termo certo foram abrangidos pelo alargamento do prazo máximo permitido por lei para estarem sob este regime, e assim trabalhar mais tempo a contrato em vez de serem despedidos ou obrigatoriamente integrados nos quadros das empresas.