A Comissão Europeia (CE) afirmou esta quinta-feira que o crescimento da economia portuguesa no segundo trimestre deste ano foi conseguido em grande parte devido a fatores não repetíveis e dúvida da sustentabilidade da redução da taxa de desemprego.

Na análise que faz à oitava e nona avaliações do Programa de Assistência Económica e Financeira que esteve a fazer em Portugal como parte integrante da troika, Bruxelas diz que os indicadores apontam para uma reviravolta na trajetória de queda da economia portuguesa, mas alerta para dúvidas na sustentabilidade dos números que têm vindo a ser apresentados este ano.

Entre estas dúvidas, está o crescimento económico verificado no segundo trimestre do ano, que foi superior ao esperado e que sustentou também a melhoria na estimativa de crescimento deste ano de -2,3% para -1,8%, e de 0,6% para 0,8% no próximo ano.

A CE diz que este crescimento verificado no segundo trimestre foi «em grande parte, motivada por fatores não repetíveis», estando entre elas a compra de aeronaves.

Para além da previsão de crescimento, Bruxelas duvida também da sustentabilidade da redução da taxa de desemprego.

Segundo os técnicos, a descida recente do desemprego deve-se em primeiro lugar à criação de emprego nas áreas do turismo e da agricultura, «levantando questões sobre a sua durabilidade» e em segundo lugar também a uma descida no número da população ativa. Não fosse assim, diz a CE, a taxa de desemprego seria mais alta que a calculada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Neste contexto, a CE diz que a previsão de crescimento do próximo ano tem grande incerteza e está sujeita a grandes riscos, lembrando desde logo que esta prevê que Portugal consiga voltar ao mercado de dívida com taxas mais baixas que as praticadas agora.

Caso este regresso não se concretize ou seja mais demorado, diz Bruxelas, isto terá também efeitos consideráveis no crescimento económico do próximo ano.