A Comissão de Trabalhadores (CT) da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e sindicatos ligados ao setor exigiram hoje uma reunião urgente com a tutela e que esta lhes faculte o novo caderno de encargos sobre a concessão.

Em declarações à agência Lusa após uma reunião que juntou várias forças sindicais e os representantes dos funcionários da empresa, Pedro Silva, líder da CT, criticou a decisão do Governo PSD/CDS-PP de avançar com um ajuste direto para a concessão da STCP, questionado mesmo a legitimidade da coligação para "fazer isto a um mês das eleições".

Os representantes dos trabalhadores exigem conhecer as alterações ao caderno de encargos, pelo que vão solicitar "com caráter urgente" uma reunião ao ministro da Economia, Pires de Lima, bem como ao Conselho de Administração da STCP.
 

"Lamentamos o facto de o processo estar a ser conduzido desta forma. O Governo não está legitimado a um mês das eleições para fazer isto. A forma do ajuste direto não é a mais transparente"


Em nome do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), o dirigente Mário Ramos chamou ao ajuste direto "máscara" que - disse - serve "para o Governo poder fazer o seu brilharete antes das eleições"

Quer Pedro Silva, quer Mário Ramos manifestaram "enormes preocupações" pela "falta de informação".
 

"Toda a gente sabe de tudo e mais alguma coisa, exceto os trabalhadores que temem ter os seus postos de trabalho em risco (…). Vamos pedir informação ao conselho de administração e ajuda aos autarcas (…). Com o Governo é muito difícil falar. Em três anos conseguimos uma reunião e foi preciso acampar à porta", referiu Mário Ramos.


O representante do STRUN disse que os trabalhadores da STCP "nunca sentiram que o seu futuro foi tão colocado em causa como agora".
 

"Se não existiram antes - ou existiu uma que desistiu - empresas interessadas, é agora que vão aparecer? Esperamos que não haja aqui manobras menos claras", declarou, por sua vez, Pedro Silva.


Da reunião desta manhã resultou uma outra reivindicação: questionar o Conselho de Administração da STCP sobre o número de admissões de motoristas e o seu enquadramento contratual.

A CT estima que neste momento faltem 140 motoristas para fazer "um serviço considerado mínimo", uma situação que teme que se acentue quando deixarem de estar em vigor os horários de verão. "Com a entrada dos horários de inverno serão cerca de 200 serviços a mais", avançou Pedro Silva.

Assim, a CT mostrou-se "satisfeita" com o facto de a tutela ter autorizado a admissão de mais motoristas, algo que antes remetia para depois da concessão, mas diz que esse processo não ficará concretizado "a tempo para os horários de inverno".
 

"A empresa vai entrar em colapso. Esperemos que seja acelerado o processo de admissão de mais pessoal", resumiu Pedro Silva.


Por fim, os representantes dos trabalhadores admitiram à Lusa que estão a ser ponderadas iniciativas como o recurso a vias judiciais, manifestações públicas e greve.

Em comunicado posterior, os trabalhadores reiteraram "defender a continuidade da empresa na esfera pública" por considerarem que "só dessa forma são garantidos direitos dos trabalhadores e a mobilidade dos utentes da Área Metropolitana do Porto".