Pedro Queiroz Pereira revelou no Parlamento que, sempre que a ES Control distribuía dividendos pelos acionistas, pouco tempo depois estes eram chamados a contribuir «com o dobro» do dinheiro em aumentos de capital.
 
Recorde-se que, até novembro de 2013, Queiroz Pereira era acionista do GES, através de uma participação de 7% na ES Control.

«Eles pagavam dividendos, mas depois pagávamos isso mais 50%. Os aumentos de capitais obrigavam as pessoas a pôr o dinheiro e eram mais do que os dividendos», afirmou, após ter sido questionado sobre como funcionava esta distribuição na ES Control, pelo deputado do PCP Miguel Tiago.
 

«Nunca se tirou um tostão. Toda a gente que pôs dinheiro no GES perdeu tudo o que tinha e o que não tinha. Sei de pessoas que tiveram de vender as casas, de verdadeiras tragédias. Os dividendos entravam na conta e, um mês depois, havia aumento de capital no dobro e lá entrava o dinheiro outra vez».


O empresário refletiu que os aumentos de capital são «sinais de má gestão» e que o GES «fez mais de 20». «É porque as coisas não estavam bem, senão não precisavam dos acionistas», acusou.

Queiroz Pereira exemplificou que, na Semapa, «em mais de 20 anos» não fez nenhum aumento de capital, preferindo utilizar «os meios da própria empresa», em vez de «pedir aos acionistas».
 

«O aumento de capital ou se faz porque os negócios correm mal ou porque a vontade de crescer e a ganância são tão grandes que se vai buscar dinheiro aos acionistas».


Como respondia ao deputado comunista, Queiroz Pereira concluiu: «Também sou crítico disso, não é só o PCP».

Na sua intervenção inicial, o empresário assegurou que o Grupo Espírito Santo tinha problemas «desde o início do século» e que «nada de fazia sem o OK de Ricardo Salgado».

Queiroz Pereira está convencido que o GES entrou no seu grupo através de várias offshores e que Salgado não lhe disse a verdade.

Sobre os contactos políticos que envolviam o GES, o empresário desvalorizou e deu o exemplo de um contacto que o próprio teve, em nome do seu grupo, com José Sócrates, quando este era primeiro-ministro, e que originou um investimento de 600 milhões de euros.

Questionado pelo deputado do PS Paulo Campos sobre a notícia do DN online, divulgada enquanto decorria a audição, que dá conta do financiamento de vários elementos do GES à campanha de Cavaco Silva em 2011, Queiroz Pereira confirmou a sua parte.

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