O presidente do BPI contou, esta terça-feira, que falou com Vítor Gaspar quando este ainda era ministro das Finanças, em «maio ou junho de 2013», sobre a sua «preocupação com a situação no GES e no BES», desmentindo assim a versão do ex-governante.
 

«O ministro atuou de imediato, porque, em menos de 48 horas, fui contactado por um alto funcionário do Banco de Portugal, que me disse que o ministro falou com o governador».


Fernando Ulrich teve então uma reunião no BPI com este funcionário do BdP. 
 

«Expliquei em detalhe as razões de ser das preocupações. O que aconteceu a partir daí não sei, mas todas as partes envolvidas fizeram o que tinham de fazer».


Recorde-se que, nas respostas enviadas à comissão de inquérito, Vítor Gaspar garantiu que desconhecia os problemas no GES/BES enquanto foi ministro.

«Não tenho conhecimento de questões particulares relativas ao BES ou ao GES no período de junho de 2011 a junho de 2013», afirmou Gaspar.

O presidente do BPI acredita que o Governo e o Banco de Portugal «não levaram a sério» as suas preocupações por entenderem que era «um concorrente a querer denegrir outro», como se de um «Sporting-Benfica» se tratasse.
 

«Não levavam a sério, não ligavam, desvalorizaram o mensageiro por ser concorrente. Mas ninguém precisava da minha ajuda para ser relativamente fácil ver os riscos relativamente grandes em torno do BES e do GES, para quem estivesse minimamente atento».


Ulrich admite que, «provavelmente, devia ter-se atuado mais cedo», porque, no «final de 2013, o destino [do GES] estava traçado e já não havia soluções boas», já que «o ponto de não retorno estava ultrapassado».

A «principal responsabilidade», continuou o banqueiro, foi «de quem geria o BES e o GES», ou seja, Ricardo Salgado e restante administração. 

Durante a audição na comissão de inquérito, Fernando Ulrich criticou a troika por «não ter percebido» o que estava a passar-se no BES, mesmo havendo um «indício claríssimo» dos problemas no GES desde 2011.

O presidente do BPI considerou ainda que tratar Ricardo Salgado como «Dono Disto Tudo» era «um mito».