Vítor Bento teve uma curta passagem pelo BES e apanhou logo a precipitação de acontecimentos que levaram à resolução. Na comissão de inquérito ao BES/GES, revelou que a ministra das Finanças «não mostrou disponibilidade», nem para a capitalização pública, nem para um financiamento provisório.

Eram planos B e C. Quanto ao plano A, a recapitalização privada, lamentou não ter havido mais tempo para a concretizar, uma vez que existiam interessados e ninguém lhe comunicou qualquer desistência nesse sentido.

O resumo da audição em 6 pontos:
 
1 - Confessou que colocou em cima da mesa a possibilidade da capitalização pública para o BES, bem como um «financiamento provisório» que a ministra das Finanças também pôs de parte

2 - Lamentou não ter havido tempo para o plano A - a recapitalização privada –, até porque existiam interessados e não recebeu qualquer comunicação de desistência de interesse

3 - Mostrou-se surpreendido com a ameaça de retirada imediata do estatuto de contraparte pelo BCE, porque «normalmente é dado um prazo para resolver insuficiências»

4 - «Nunca» pensou que a resolução seria um «plano alternativo». Quando aceitou liderar o banco, o projeto que tinha na cabeça era outro

5 - Revelou que não foi informado da decisão pela medida de resolução previamente, embora fosse ele, na altura, o presidente do banco. «Muito honestamente não foi falado comigo coisa nenhuma»

6 - Soube por SMS da queda abrupta das ações, no dia 31 de julho, mas a desvalorização «era perfeitamente normal face aos resultados» 

Leia mais aqui:

Maria Luís «não mostrou disponibilidade», nem para ajuda provisória

«Não sei se havia investidores privados interessados no BES»