A produção no setor da construção deverá cair este ano 15% e «enfrenta um sério risco de colapso», prevê a AECOPS, com base na evolução da atividade ao longo dos primeiros seis meses do ano.

A queda da produção, de acordo com um comunicado da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços, deverá ser de 18% na Habitação e de 14% na Engenharia Civil.

A AECOPS considera estas estimativas «alarmantes», sublinhado que confirmam o «sério risco de colapso económico do setor», para o qual a associação vem a chamar a atenção.

«A atividade da Construção vive hoje o momento mais difícil da sua história. Sem novas obras para fazer ou sem crédito para executar as que têm em carteira, as empresas do setor lutam para se manter no mercado e garantir o máximo possível de postos de trabalho», sublinha o comunicado.

A AECOPS chama a atenção para o facto deste setor de atividade económica se ver confrontado com uma crise que se apresenta em «três frentes».

Em primeiro lugar esta é uma crise de «mercado», originada pela «ausência da procura e do investimento, tanto público como privado»; mas é também «estrutural do tecido empresarial», que se traduz no desaparecimento ¿ entre janeiro e junho deste ano - de 1.198 empresas e, nos últimos três anos, de mais de 200 mil postos de trabalho.

Finalmente esta é uma crise financeira, estimulada por uma contração do crédito ao setor na ordem dos 5,4 mil milhões de euros.

A Construção caminha para uma «situação insustentável», considera, por isso, a AECOPS, acrescentando que «não se perspetiva, para breve, uma inversão desta conjuntura».

«O setor enfrenta um sério risco de colapso, o qual, a acontecer, não deixará imune o resto da economia nacional e, ao mesmo tempo, provocará consequências sociais e políticas imprevisíveis», conclui o comunicado.