A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) insistiu esta terça-feira nas dificuldades dos pequenos agricultores, criticando a “distribuição discriminatória das ajudas comunitárias” e acusando o Governo de “demagogia eleitoralista”.

A CNA lamenta, num comunicado, que “a propagandeada ajuda da UE [União Europeia] ao setor leiteiro português” tenha ficado reduzida à “miséria” de 0,25 cêntimos por litro (ou seja, um cêntimo por quatro litros), quando o preço do leite baixou dez cêntimos, e que os suinicultores portugueses não tenham recebido ajudas, ao contrário dos concorrentes espanhóis.

O mesmo aconteceu no que diz respeito às ajudas para a seca, com as quais foram contemplados alguns países europeus, mas não Portugal.

“Lamentavelmente, a ministra da Agricultura e o Governo português estiveram de acordo no Conselho Agrícola – o conjunto dos ministros da PAC - com esta distribuição discriminatória das ajudas comunitárias que contribui para prejudicar os agricultores”, criticou a Confederação.

A CNA acusa o Governo de estar a manipular a opinião pública ao anunciar que “os agricultores recebem milhões e milhões em subsídios”, referindo-se ao anúncio da disponibilização de 200 milhões de euros como reforço aos pagamentos das Medidas Agroambientais do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) como “demagogia eleitoralista”.

“A Ministra da Agricultura e o Governo deixaram rolar o tempo e deixaram acumular problemas em cima dos agricultores e, afinal, só em vésperas de eleições é que vieram anunciar o citado reforço das verbas para as Medidas Agroambientais”, salientou a CNA.