O Grupo Mello lançou uma Oferta Pública de Aquisição sobre a Espírito Santo Saúde. Esta OPA vem concorrer com a do grupo mexicano Ángeles, lançada a 20 de agosto, e que mereceu o parecer favorável da Espírito Santo Saúde, ou seja, a OPA não foi declarada como hostil.

«OPA não representa problema de concorrência»

CMVM levanta suspensão da negociação das ações da ES Saúde

Agora, muda o cenário: no anúncio preliminar do lançamento da OPA, comunicado à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários, o grupo Mello revela que oferece uma contrapartida de 4,40 euros por ação, mais 0,10 euros do que a oferta realizada pelo grupo mexicano. A contrapartida contempla um prémio de 37,5% face à cotação da oferta pública de venda da ES Saúde, realizada a 12 de fevereiro.

Quatro grupos privados têm 83% do negócio da saúde

De resto, é uma situação normal, já que ao lançar uma OPA concorrente, a oferta tem de ser superior, para ser considerada.

A oferta é condicionada à aquisição de, pelo menos, 50,01% do capital da ES Saúde, a mesma participação pretendida pelos mexicanos.

Em comunicado, a José de Mello Saúde sublinha que esta operação representa um investimento que pode ascender aos 420 milhões de euros.

«Nunca escondemos que estaríamos disponíveis para explorar novas oportunidades de crescimento, particularmente em Portugal, e esta oferta sobre a Espírito Santo Saúde pareceu-nos uma boa oportunidade, tanto para a estratégia de consolidação da José de Mello Saúde, como para os acionistas da Espírito Santo Saúde», sublinha Salvador de Mello, presidente da José de Mello Saúde.

A empresa teve lucros de 14 milhões de euros no primeiro semestre do ano, com proveitos operacionais de 263 milhões. A dívida líquida foi reduzida para 70 milhões de euros.

A CMVM tinha suspendido a negociação das ações da ES Saúde, à espera de «informação relevante», o que fazia antever uma nova oferta de aquisição. Até às 9h30, a negociação das ações continua suspensa.

A Espírito Santo Saúde teve lucros de 8,7 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, uma subida de 44,3% relativamente ao período homólogo.

A ES Saúde é dona, entre outros ativos, do Hospital da Luz, em Lisboa, e gere, em regime de Parceria Público-Privada, o Hospital de Loures.

É atualmente detida maioritariamente pela Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo e que, a pedido da própria, se encontra sob gestão controlada pelo Tribunal do Comércio do Luxemburgo desde o dia 29 de julho.