Notícia atualizada às 21:55

A Fidelidade decidiu rever em alta, para 5,01 euros, o preço da oferta das ações da Espírito Santo Saúde, no âmbito da oferta pública de aquisição. A oferta, comunicada à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários minutos depois do regulador ter anunciado ao mercado que tinha prrorogado o prazo da OPA da seguradora detida pelos chineses da Fosun, ultrapassa em um cêntimo a oferta feita fora de mercado pelos americanos da UnitedHealth.

No documento enviado ao regulador, a Fidelidade sublinha que esta oferta de 5,01 euros incorpora um prémio de 11,33% relativamente à proposta inicial, a do grupo Ángeles, que foi de 4,50 euros. No total, a seguradora avalia a Espírito Santo Saúde em cerca de 479 milhões de euros, uma diferença de quase 70 milhões em relação ao oferecido pelo grupo Ángeles na sua primeira oferta, que deu o «tiro» de partida.

Recorde-se que o prazo da OPA da seguradora detida pelos chineses da Fosun terminava esta sexta-feira, mas dizem as regras que a última revisão da oferta tem de ser feita cinco dias antes de terminar o prazo da OPA. Ora a oferta de aquisição fora do mercado feita pela UnitedHealth quando faltavam quatro dias para terminar o prazo, deixando a Fidelidade de mãos atadas.

A CMVM decidiu prorrogar o prazo da OPA da Fidelidade até ao dia 14, o que levou a seguradora, minutos depois, a fazer o anúncio da revisão do preço da oferta.

Os americanos ofereceram cinco euros por ação para deter 51% da Espírito Santo Saúde. 

Também esta quinta-feira, a CMVM notificou a UnitedHealth Group Incorporated para retirar a proposta apresentada à Espírito Santo Health Care Investments e se abstenha de praticar ou divulgar quaisquer atos com ela relacionados.

«Esta ordem teve por fundamento a perturbação da Oferta Pública de Aquisição (OPA) em curso sobre as ações representativas do capital social da Espírito Santo Saúde, SGPS, S.A. (ESS) através de uma conduta não conforme com o regime legal das ofertas públicas de aquisição concorrentes», justificou o conselho diretivo da CMVM num comunicado divulgado na sua página na Internet.

A CMVM considera que a proposta «foi anunciada num momento em que não podia ser formulada como oferta concorrente, atento o prazo em que uma tal oferta deveria ser lançada», nos termos legais.

«Apesar de tal proposta ter sido formalmente dirigida ao acionista maioritário da ESS, foi divulgada publicamente, de tal forma que condicionou a formação da vontade dos demais acionistas da ESS que se pretende esclarecida e informada», afirmou a CMVM.

Por isso, a CMVM considerou que «a UnitedHealth Group Incorporated (UHG) passou a estar em situação de factual concorrência com a Oferta Pública de Aquisição lançada pela Fidelidade, incluindo no universo de potenciais destinatários (indiretos) da sua proposta todos os acionistas daquela sociedade, titulares das ações que seriam visadas pela oferta pública de aquisição que a UHG deveria lançar se a sua proposta fosse aceite pela ESHC».

«Razão pela qual a conduta da UHG não se conforma com o regime das ofertas concorrentes, previsto nos artigos 185.º e seguintes do Cód.VM, na medida em que representa a realização, em simultâneo com a oferta pública em curso, de uma operação que, reconduzindo-se formalmente a um tipo legal diverso da oferta pública, envolve, ainda assim, a divulgação pública de uma intenção de contratar o mesmo número de ações que são objeto daquela», refere a Comissão.

Recorde-se que a Rioforte entrou com um pedido de gestão controlada no Tribunal de Comércio do Luxemburgo, cuja decisão deverá ser tomada no dia 17.

Os mexicanos Ángeles foram o primeiro grupo a lançar a OPA, a 19 de agosto, estabelecendo o preço de 4,35 euros por ação. Um mês depois, a 19 de setembro, o grupo retificou o valor da oferta para 4,50 por ação, depois de o grupo José de Mello Saúde ter entrado na corrida e oferecer 4,40 euros por ação, no dia 11 de setembro.

No dia 23 de setembro foi a vez da Fidelidade lançar uma OPA sobre a Espírito Santo Saúde, oferecendo 4,72 euros por ação, mas aquando do registo da oferta, a contrapartida foi revista em alta para os 4,82 euros.

Dois dias depois, a 25 de setembro, a José de Mello Saúde anunciou que desistia da OPA, mas que continua interessado na área da saúde do grupo Espírito Santo. No dia 30 foi a vez dos mexicanos comunicarem à CMVM que desistiam da oferta sobre a Esprito Santo Saúde.