O presidente da CIP diz que Passos Coelho avançou aos parceiros sociais que o Governo terá mesmo de negociar um programa cautelar para regressar aos mercados, em junho do próximo ano.

Já no Parlamento, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sublinhou que Portugal deverá ter «algum apoio» no regresso aos mercado

À saída, e sobre outro tema, António Saraiva, afirmou ainda que o aumento da idade da reforma para os 66 anos «é o máximo admissível» e que falar num número superior é «pura ficção».

«Há dúvidas de interpretação se nos 66 ou se, através da aplicação do fator de sustentabilidade, poderá subir para os 67. Mas para nós [CIP] 66 deveria ser o valor máximo. Qualquer outro número é pura ficção», disse António Saraiva aos jornalistas à margem da reunião de concertação social, ainda a decorrer.

O presidente da CIP, que teve de abandonar a reunião mais cedo, considerou que «esta solução de aumento [da idade da reforma] vem penalizar o refrescamento dos quadros».

Nesse sentido, a CIP propôs hoje ao Governo, «que não mostrou disponibilidade para abdicar dos 66 anos, uma vez que isso resulta da sétima avaliação da troika», algumas contrapartidas que beneficiem as empresas, nomeadamente, a eliminação das quotas por rescisão por mútuo acordo e a flexibilidade de acesso à idade de reforma, agora suspensa.

«Gostaríamos de ver (o aumento da idade da reforma) acompanhada de medidas que promovam o refrescamento das empresas por via da extinção das quotas e por permitir que aqueles que queiram ir para a reforma o possam fazer sem penalização», disse o representante patronal.

E reforçou: «Percebemos perfeitamente que temos de garantir a sustentabilidade do sistema de Segurança Social, mas temos de dar alguma contrapartida aos jovens desempregados (cerca de 40%) e à procura do primeiro emprego».

O Governo e os parceiros sociais discutem hoje a proposta de lei que altera a lei de bases do sistema de Segurança Social, que permite flexibilizar o aumento da idade da reforma para os 66 anos em 2014.

A reunião ainda está a decorrer.