A China Three Gorges International, que é a maior acionista da EDP, está satisfeita com o investimento na empresa, já que as expectativas foram "cumpridas", embora rejeite um cenário de reforçar a participação. Ao mesmo tempo, considera natural o aumento do salário de António Mexia, até porque não era atualizado desde 2006.

"Nos últimos nove anos, o presidente executivo manteve a mesma remuneração, e nós achamos que era altura de fazer um ajustamento", frisou à agência Lusa, em Pequim, o vice-presidente executivo da China Three Gorges, Wu Shengliang.

Segundo a proposta de remuneração aprovada pela assembleia-geral de acionistas da EDP, António Mexia pode ganhar até 2,6 milhões de euros em 2016, entre remunerações fixas e variáveis, mais 600 mil do que em 2015.

Já o administrador financeiro (CFO), Nuno Alves, e o presidente da EDP Renováveis, Manso Neto, vão receber 560 mil euros de remuneração fixa anual cada. Os restantes elementos do Conselho de Administração Executivo da EDP têm uma remuneração de 480 mil euros. Wu Shengliang sai em sua defesa:

"Com a atual administração, a EDP passou de uma empresa doméstica para uma multinacional, com projetos e negócios em 14 países (...) Avaliamos muito positivamente a gestão da EDP e achamos que os gestores devem beneficiar dos bons resultados da empresa"

O gestor chinês lembrou ainda que os vencimentos da administração da EDP estão abaixo do auferido pelas suas congéneres internacionais.

"Estamos satisfeitos"

A China Three Gorges tem a EDP nas mãos desde maio de 2012, há precisamente quatro anos e as expectativas "foram cumpridas".

"Consideramos, sobretudo, as metas estratégicas e, nesse aspeto, estamos satisfeitos", congratulou-se Wu, enaltecendo o contributo da EDP para a internacionalização da estatal chinesa.

"Hoje, a CTG é a segunda maior geradora de energia com capital privado no Brasil (…) temos projetos conjuntos com a EDP em Inglaterra e França, e presença em Itália, Polónia e Portugal"

Por outro lado, o gestor chinês lembrou que a entrada da CGT permitiu à elétrica portuguesa financiar-se junto do Banco de Desenvolvimento da China, uma instituição financeira do Governo chinês, "num período em que os mercados se fecharam ao sul da Europa". "Foi só após um primeiro empréstimo [da China] de mil milhões de euros que a EDP conseguiu voltar aos mercados", lembrou.

Wu Shengliang, 45 anos, formado em engenharia hidráulica e mestre em Economia e Gestão, é também membro do Conselho Geral e de Supervisão da EDP e diretor-adjunto do Departamento de Planeamento Estratégico da CTG.

Questionado sobre a possibilidade da sua empresa vir a comprar ou vender ações da elétrica portuguesa, visto que o período de bloqueio terminou no mês passado, Wu negou ambas as hipóteses.

"Somos diferentes dos outros acionistas; temos uma visão a longo prazo e o interesse é mais estratégico do que financeiro"

E recusou também um reforço da participação na EDP, numa decisão que admitiu estar relacionada com a blindagem dos estatutos, que limita os direitos de voto a 20%, mesmo que a participação acionista seja maior.

"Esta é uma questão à qual prestamos especial atenção", disse, observando que "muitas leis em Portugal são já antigas e desajustadas face ao funcionamento atual do mercado" e constituem um "obstáculo para os investidores".