O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse esta terça-feira que a «esmagadora maioria» do «pouco emprego» criado é precário e mal remunerado e não existem garantias de uma baixa consistente da taxa de desemprego em Portugal.

Taxa de desemprego em Portugal volta a descer em maio

UGT insatisfeita com níveis de criação de emprego em Portugal

«Aquilo que sabemos é que a esmagadora maioria do pouco emprego que foi criado é precário e mal remunerado. É um emprego que tão depressa é criado hoje como amanhã é destruído», advogou o sindicalista, que falava aos jornalistas no final de um encontro com uma delegação do PCP, na sede dos comunistas, em Lisboa.

Arménio Carlos comentava os dados desta manhã do Eurostat, que revela que a taxa de desemprego em Portugal voltou a recuar em maio, para 14,3%, contra 14,6% em abril, menos 2,6 pontos percentuais do que um ano antes (16,9%), a segunda maior descida homóloga da União Europeia (UE).

«O combate ao desemprego promove-se com o crescimento económico e o desenvolvimento do país, mas não só com isso: promove-se também com uma aposta na qualidade do emprego, com justas remunerações, estabilidade e segurança», alerta o secretário-geral da CGTP, para quem os dados de hoje «não correspondem» ao que o país precisa.

«Quando agora nos dizem que há uma ligeira diminuição do desemprego isso não corresponde de forma nenhuma àquilo que precisamos. Está associado à emigração, aos que ficaram desencorajados e deixaram de constar dos mapas de desempregados e também aos outros desempregados que estão a ser colocados em serviços públicos durante alguns meses, no máximo um ano, e depois voltam novamente ao desemprego», reforçou Arménio Carlos.

De acordo com os dados hoje avançados pelo gabinete oficial de estatísticas da UE, o desemprego tem estado assim a recuar de forma ininterrupta em Portugal no corrente ano, ainda que com ligeiras descidas, pois era de 15% em janeiro, 14,9% em fevereiro, 14,8% em março e 14,6% em abril.

Ainda assim, a taxa de desemprego em Portugal mantém-se como a quinta mais elevada da União, atrás de Grécia (26,8%, valor de março), Espanha (25,1%), Croácia (16,3%) e Chipre (15,3%), e muito acima da média quer da UE (10,3%), quer da zona euro (11,6%), que se mantiveram praticamente inalteradas (desceu 0,1% na União e estabilizou no espaço monetário único).

Já em termos homólogos, ou seja, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, Portugal registou, pelo segundo mês consecutivo, a segunda maior queda entre os 28 Estados-membros, apenas atrás da Hungria e à frente da Irlanda, com um recuo (-2,6%) bem mais pronunciado do que na média da UE (caiu de 10,9% em maio de 2013 para 10,3% em maio deste ano) e da zona euro (recuo de 12% para 11,6% no espaço de um ano).