O plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos deverá rondar, no total, 5.000 milhões de euros. A Antena 1 teve acesso ao plano do Governo e, entretanto, foi marcada uma conferência de imprensa para as 15:30. O dito plano contará já com luz verde de Bloco de Esquerda e Partido Comunista. 

A rádio pública indica que o valor pode ser ligeiramente superior ou inferior, porque depende da forma de contabilização e das exigências da Comissão Europeia.

É que as verbas canalizadas para a Caixa também visam aumentar a almofada financeira do banco público precisamente para corresponder às regras europeias. Seja como for, a maior parte do dinheiro será para fazer face aos créditos concedidos que a Caixa não consegue ver reembolsados, as chamadas imparidades.

O plano de reestruturação inclui ainda a saída de 2.500 trabalhadores nos próximos anos, mas sem qualquer despedimento: apenas por rescisões amigáveis ou reformas. Mas ainda há mais: a ideia é fechar 300 balcões, a maioria deles fora do país.

Sindicato: "Querem transformar a CGD numa Caixinha"

Face à parte do plano de reestruturação que implica uma redução da atividade do banco público, o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) defende que, a ser concretizado, corresponde "a uma redução brutal da atividade da Instituição, com reflexos na economia e nas poupanças dos portugueses", colocando a Caixa numa "posição de subalternidade" perante a restante banca que opera em Portugal.

E faz várias denúncias, dizendo que "querem transformar a CGD numa Caixinha". Entre elas, que haverá interesses privados "por detrás deste plano de destruição da CGD"; que é "incompreensível mas significativo" que o plano tenha sido elaborado "dentro do maior secretismo e sem qualquer audição dos representantes dos trabalhadores" e que o encerramento de balcões no estrangeiro "parece nem sequer levar em consideração os interesses da diáspora nacional", como França, onda a Caixa é o banco de referência.

O PS pediu esta terça-feira a audição parlamentar com carácter de urgência do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para obter esclarecimentos sobre a Caixa Geral de Depósitos. 

Para os socialistas, é importante que o governador do Banco de Portugal, sendo responsável pela supervisão da banca e “um dos principais responsáveis pelo segundo pilar do programa de ajustamento da troika que dizia respeito à estabilidade do setor financeiro”, esclareça os “contornos” da recapitalização da Caixa. Até porque, em 2012, o Estado injetou 750 milhões de euros diretamente em ações na Caixa Geral de Depósitos e ainda 900 milhões em instrumentos de capital contingente, dívida pela qual o banco público paga juros anuais.

Na semana passada, o ministro das Finanças defendeu que a CGD tem de passar a estar ao serviço da economia portuguesa, considerando que o banco tem de continuar a ser público.