A nova equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos iniciou funções a 31 de agosto, mas só agora se conhecem os salários dos administradores. A revelação foi feita pelo ministro das Finanças, no Parlamento. Mário Centeno indicou que o presidente, António Domingues, vai ganhar mais de 30 mil euros por mês para liderar o banco público. 

"O Presidente do Conselho de Administração vai ter o equivalente ao vice presidente da mediana dos salários: 423 mil euros anuais", indicou o ministro, em resposta a Duarte Pacheco, deputado do PSD. Contas feitas, 30.214 euros por mês (em 14 meses, contando com subsídio de férias e de Natal). 

António Domingues ganhará ainda mais uma parcela variável. O ministro começou por não revelar o montante, mas em resposta ao deputado social-democrata António Leitão Amaro, adiantou que os limites que são praticados para este tipo de remuneração "correspondem até metade da remuneração fixa”.

Ou seja, fazendo mais umas contas, sendo a componente fixa de 423 mil euros, a variável poderá ir até 211 mil euros. Assim, no total, o presidente da Caixa poderá ganhar até aos 634,5 mil euros por ano. Se dividirmos pelos mesmos 14 pagamentos a contar com subsídio de férias e de Natal, serão 45,3 mil euros/ mês.

Mário Centeno explicou que essa parte variável do salário é paga apenas se forem atingidos os objetivos, uma vez que se trata de uma remuneração "fixada após a avaliação do desempenho”. 

Uma remuneração variável só existe quando o desempenho justifica que seja paga. [Se os administradores receberem] é porque o investimento que os contribuintes fizeram está a ter retorno e é justificado”.

Já os vogais executivos vão ter um salário "que também corresponde à mediana do salário do setor: 337 mil euros" por ano, cerca de 28 mil euros por mês. 

Os não executivos vão receber 49 mil euros por ano, "o que aliás é um bocadinho mais baixo" do que a média, segundo Centeno. Ou seja, pouco mais do que 4 mil euros por mês. 

Porquê estes valores? "Eu é mais bolos"

No total, a nova equipa de gestão da Caixa vai custar cerca de 2,5 milhões de euros anuais ao banco público.

Para o ministro é, no fundo, importante pagar em linha do mercado e, para tal, teve uma tirada humorística citando o famoso sktech de Herman José "Eu é mais bolos" (veja o vídeo associado a este artigo, em cima). Naquele caso, tratava-se de um pasteleiro convidado por engano, que afirmou que do que ele sabia era de bolos.

Transportando a imagem para a CGD, Centeno justifica que não quer, no fundo, comprar gato por lebre. Quer pessoas competentes à frente do banco público, que não venham a desiludir.

Referiu, ao mesmo tempo, que a métrica utilizada para definir os salários não influencia o mercado “nem no sentido de o inflacionar" nem no de os ordenados em causa "estarem fora do mercado”.  

“A aplicação da regra anterior na determinação da remuneração destes mesmos membros" traduzir-se-ia num "custo total" de remunerações "superior”, disse o ministro para justificar a estratégia agora seguida e que já tinha sido anunciada na altura em que apresentou o plano de reestruturação e recapitalização da CGD. 

Para além de António Domingues, fazem parte do conselho de administração da Caixa o vice-presidente não executivo, Emídio Rui Vilar, seis administradores executivos (Emídio Pinheiro, Henrique Menezes, João Paulo Martins, Paulo da Silva, Pedro Leitão e Tiago Marques) e três não executivos (Angel Corcóstegui Guraya, Herbert Walter e Pedro Norton de Matos).

Já a auditoria prometida às contas da Caixa ficará para momento oportuno porque, diz Mário Centeno, o presidente da Caixa está mais concentrado no processo de recapitalização o que indicia um adiamento para depois do aumento de capital.