Mário Centeno assumiu hoje que a reestruturação do banco público implicará "um ajuste de recursos".

Em conferência de imprensa, onde levantou um pouco do véu do plano de negócios e capital que o Governo está a discutir com a Comissão Europeia, o ministro das Finanças disse que este ajuste passará por "pré-reformas" e "menos agências". Mas assegurou que as agências serão "criteriosamente" selecionadas. E recordou que este é um processo transversal ao setor bancário.

O ministro não quis avançar números quando confrontado com as notícias de hoje que davam conta de uma recapitalização que afinal chegaria os cinco mil milhões. Silêncio também no caso da redução de colaboradores.

Sobre o plano de capitalização, propriamente dito, continua tudo no "segredo dos Deuses", pelo menos em termos oficiais. Hoje o primeiro-ministro já tinha dado o mote à conferência de imprensa do seu ministro ao afirmar que falar de valores era prematuro. E Mário Centeno pouco mais disse.

Lucros num futuro próximo e retorno em cinco anos

O ministro das Finanças referiu que o plano em discussão prevê "o regresso a resultados líquidos positivos num futuro próximo e retorno do capital do Estado no prazo, adequado, num horizonte de cinco anos". Bem como, no mesmo período, "a redução dos custos de risco de crédito, dos custos operacionais e do produto bancário".

Sobre as necessidades concretas de capital, Centeno falou que 900 milhões de euros são para fazer face ao pagamento de obrigações convertíveis, uma outra parte, para reestruturar a carteira de crédito - a tal cobertura de imparidades-  e redimensionar a instituição.

Sendo que fez questão de reforçar que as necessidades decorrem "largamente dos investimentos" que a Caixa pretende realizar.

Um redimensionamento que passa também pela área internacional, com o Governo a querer que o foco privilegiado seja África e os países de língua oficial portuguesa.

Centeno frisou que o plano em discussão tem como meta manter a posição de liderança da Caixa no mercado, sobretudo nas Pequenas e Médias Empresas – a grande massa do tecido empresarial português. O Governo quer ainda aumentar a eficiência operacional do banco e simplificar a estrutura, assegurando que o período de financiamento é curto. O modelo de gestão profissional, de que o ministro da tinha falado, contribuirá também para os objetivos, assegurou.

Objetivos que segundo o responsável pela pasta das Finanças só serão possíveis com o reforço do modelo de gestão de risco e ajustando “de forma exemplar” os créditos em incumprimento.