O Presidente da República disse esta segunda-feira que «a questão do pós-troika é decisiva para o futuro do País» e insistiu nas vantagens de um compromisso político entre os partidos do arco da governação.

Falando no final de uma visita à fábrica da Nestlé, Cavaco Silva reafirmou a importância de um compromisso político de médio prazo, «para que Portugal consiga ter melhores resultados no futuro».

«Considero que é muito positivo que cada vez mais vozes se levantem a solicitar o entendimento entre os partidos políticos. É preciso que os portugueses vão percebendo quanto perdem em termos de emprego, de salários, de prestações sociais e de justiça na distribuição de rendimento, se não houver um compromisso político entre as forças que estão comprometidas com o programa de ajustamento», disse.

O Presidente da República considera que «é estranhíssimo que Portugal seja o país da Europa onde é mais difícil o diálogo entre as forças políticas», quando «devia ser o contrário pelas circunstâncias que atravessa» e conclui: «se foi possível o entendimento aquando da assinatura do programa de assistência financeira, agora que as exigências vão ser menores, parecia que seria mais fácil esse diálogo, que não põe em causa o respeito do princípio da alternância».

Cavaco Silva explicou o prefácio que fez para os «roteiros do semanário Expresso, sobre o pós troika: decidi analisar de forma rigorosa, aprofundada e por escrito essa fase da vida portuguesa para explicá-la aos portugueses».

Para o Presidente da República, o mais importante é estudar o problema das diferentes possibilidades de saída do programa de ajustamento.

«Tive o cuidado de explicar o que sucede se Portugal adotar um programa cautelar, e aquilo que sucede se adotar uma saída à irlandesa. Agora é necessário acompanhar a evolução da economia internacional, contactar com os parceiros europeus e ver a evolução dos mercados para, no tempo adequado que compete ao governo decidir, tomar a decisão», concluiu.