A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) está disponível para integrar o gabinete de crise para encontrar soluções para os problemas do setor da suinicultura e defendeu a convocação "com maior urgência" desta estrutura.

"Nós ontem [quarta-feira] reunimo-nos com o ministro da Agricultura [Luís Capoulas Santos]", afirmou hoje a diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo Morais, à Lusa.

"Estamos totalmente disponíveis para integrar o gabinete de crise para que se encontrem as melhores medidas para atenuar estes problemas que os produtores nacionais estão a sentir, mas não são só os produtores e a distribuição que têm de estar neste gabinete com o Governo, temos também de ter a indústria transformadora, que é um setor importantíssimo nesta cadeia de valor", afirmou.

"Já houve ocasião para sugerir ao gabinete do ministro para que convocássemos com maior urgência este gabinete de crise e estamos totalmente disponíveis para darmos alguns contributos positivos para se encontrar uma solução para que a nossa produção tenha capacidade para sobreviver", sublinhou a diretora-geral.

Ana Isabel Trigo Morais defendeu a necessidade de "valorizar a produção nacional", neste caso da carne de porco, explicando as suas propriedades e características, como se distingue pelos sabores e em termos regionais e essa é "uma responsabilidade que convoca a todos".

A diretora-geral lembrou que já há algum tempo que se vinha a assistir a "um conjunto de dificuldades no mercado da carne de suíno", muitas delas relacionadas com a conjuntura internacional do mercado.

Isto porque há "um excesso de produção na Europa que tem vindo a pressionar o preço em baixa", salientou, apontando que "todas as bolsas que foram o preço da carne de porco estão com valores muito baixos".

Por exemplo, a bolsa de Lérida está a cotar a carne de suíno a valores que remontam a 2007.

"Havendo um excesso de produção que não é acompanhado por um aumento de consumo temos um problema instalado na Europa", apontou, mas reiterou que a distribuição conhece os problemas e está "disponível para ajudar e colaborar da melhor forma para resolver estes problemas".

A APED referiu que o setor vive a "tempestade perfeita": excesso de produção, bolsas que cotam a carne suína em baixa e o facto dos "mercados de exportação da carne portuguesa estarem praticamente encerrados ou com muitas dificuldades".

Sobre este último ponto, a APED salientou "o problema do embargo da Rússia", mas também Angola, que "já não é alternativa" para as exportações de carne suína portuguesa.

Acresce ainda o facto da Venezuela também já não servir de destino das exportações portuguesas.

"A produção que estava destinada para estes mercados não tem para onde escoar", pelo que "os preços acabam todos por descer", disse.

"Se há setor que muito tem contribuído para promover e valorizar a produção nacional é o setor da distribuição", disse, salientando as parcerias que a têm sido feitas com os produtores, que considerou "fundamentais" para o setor "ter bons fornecedores e os consumidores melhores produtos".

A diretora-geral disse ainda que é necessário pedir a Bruxelas que liberte as medidas necessárias para ajudar o setor, já que a crise não é só portuguesa, mas também europeia.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pela APED, o consumo de carne de porco por cada português tem vindo a cair. Em 2008, cada português consumia, em média, 47 quilos por ano. Atualmente, o consumo está, em média, nos 43 quilos.

"Temos aqui várias condicionantes que estão contribuir para esta situação, achamos que todos juntos é que temos de encontrar a solução", concluiu.