O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, comparou esta quarta-feira a hipótese de um segundo resgate financeiro a Portugal ao «papão» da história de «Pedro e o Lobo», do qual se fala «tanto» que acaba «por comer o Pedro».

«Não faz sentido estarmos a falar num papão, como na história do Pedro e do lobo», disse, lembrando que, nessa fábula, fala-se «tanto no lobo» que este «acabou por comer o Pedro».

«E nós não queríamos que o papão do resgate, naturalmente, engolisse o primeiro-ministro, que por acaso também é Pedro», ironizou.

O líder da UGT falava aos jornalistas em Évora, depois de participar na sessão de abertura da Conferência UNI Europa Serviços Postais & Logística, a decorrer numa unidade hoteleira da cidade alentejana, até sexta-feira.

Na mesma sessão inaugural do encontro discursou também o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

Questionado pelos jornalistas a propósito de um eventual segundo resgate financeiro a Portugal, Carlos Silva frisou que falar desse assunto «é uma chantagem» sobre os trabalhadores, pensionistas e reformados.

«É dizer que 'se vocês não se portam bem, se vocês não aceitam os cortes nos salários e nas pensões, nós vamos pedir um segundo resgate'. É uma chantagem que não podemos aceitar», argumentou.

Trata-se da «teoria da inevitabilidade dos factos», mas para a UGT, contrapôs, «não é inevitável que haja um segundo resgate».

Aliás, acrescentou Carlos Silva, «os resultados da consolidação orçamental» divulgados na terça-feira «demonstram-no», assim como «a possibilidade de o governo conseguir uma flexibilização das metas do défice para 2014».

«É tempo de o Governo rever a sua política e perceber que, se tem 700 milhões de euros de resultados positivos, isso significa que foi feito à custa dos trabalhadores» e que «não faz sentido continuar com políticas recessivas que esmagam os direitos das pessoas».

Já o secretário-geral da CGTP, a propósito dos dados da execução orçamental, acusou o Governo de, ao invés de desenvolver a economia, prosseguir políticas que conduzem ao «empobrecimento geral do país».

«Tem a ver com um pacote monumental de impostos que impôs aos trabalhadores e aos pensionistas», disse.

Arménio Carlos questionou ainda: «Se este ano a economia continua em recessão, mesmo com este aumento brutal de impostos, para o ano, em que o governo tem que reduzir o défice em 1,5%, onde vão buscar o dinheiro?».

«Vão aumentar em mais 10 ou 15 ou 20% o IRS? É insuportável, só se nos quiserem colocar numa situação de escravidão», argumentou.