O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, apelou esta quarta-feira aos bancos nacionais cujos planos de reestruturação foram aprovados por Bruxelas que não punam os trabalhadores e salvaguardem os seus postos de trabalho.

Carlos Silva visitou hoje de manhã agências bancárias da cidade de Viseu tendo, no final, manifestado preocupação relativamente a «imposições colocadas à reestruturação de alguns bancos em Portugal».

A Comissão Europeia anunciou na quarta-feira que aprovou os planos de restruturação da CGD e do BPI, e que chegou a acordo com as autoridades portuguesas sobre o plano de restruturação do BCP e planeia adotar uma decisão nessa base «nas próximas semanas».

Sobre o Banif, o quarto banco português que recebeu ajudas estatais, Bruxelas diz que ainda decorrem as discussões com as autoridades portuguesas, «sobretudo porque esses auxílios vieram mais tarde do que para os outros três bancos».

O secretário-geral da UGT frisou que essas instituições «receberam ajudas do Estado no sentido de garantir a sua reestruturação e o cumprimento de um conjunto de metas dos cálculos de sustentabilidade até aos 11, 12% - quando alguns dos bancos estavam nos 06, 07 e 08%» ¿ que foram cumpridas.

Neste âmbito, faz votos para que estas instituições tenham «a decência no comportamento» de, ao aceitarem as imposições, não punirem, «mais uma vez, os trabalhadores por algo em que não têm responsabilidade».

«A UGT irá acompanhar este processo e espera que estes quatro bancos visados tenham em consideração o seu potencial humano e que a aplicação de algumas medidas restritivas que venham ao encontro desta obrigação que a troika [Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central] aqui coloca sejam levadas com a necessária prudência», frisou.

Na sua opinião, deve haver «salvaguarda dos postos de trabalho», manter-se a «sensibilidade social» que admite ter-se verificado nos últimos anos e que os processos de reestruturação defendam a empregabilidade no setor.

«Temos sido extremamente castigados nos últimos anos, não apenas os bancários, mas todos os trabalhadores portugueses», lamentou, fazendo votos para que, «numa altura em que se procura a estabilidade com a recomposição do Governo, também não venha agora a troika colocar no setor bancário mais um ónus que levante não sei quantos processos de despedimento».

Carlos Silva contou que, durante a manhã de hoje, os trabalhadores das agências de Viseu que visitou admitiram sentir insegurança, «mesmo estando com contratos de trabalho sem termo».

Aludiu especificamente ao BPI e ao facto de lhe ser exigida «a redução de 363 pessoas, uma redução de negócios em Portugal de 700 milhões até 2015 e o encerramento de 21 balcões».

«Isto multiplicado por aquilo que já é a reestruturação normal da própria banca imagine-se o pânico que cria nos trabalhadores», frisou.