O comissário europeu da Inovação, Carlos Moedas, disse esta quinta-feira que não há hostilidade nacional ou pessoal na Comissão Europeia contra Portugal ou Espanha, mas sim diferentes posições na Europa, que nem são partidárias.

"Não, não é uma hostilidade pessoal ou nacional, isso não existe. Existem é diferentes visões na Europa, mas não são partidárias, entre a esquerda e a direita, mas entre povos da Europa. Diria que há um eixo Norte/Sul, Este/Oeste", disse Carlos Moedas, à margem da Grande Conferência Europa, uma iniciativa do Diário de Notícias e Vodafone, que decorreu em Lisboa.

Contra a aplicação de sanções a Portugal, o comissário reiterou esta quinta-feira que a mensagem que transmitiu em Bruxelas foi de que seria "muito difícil explicar" aos portugueses que, depois de todos os sacrifícios que fizeram, iam ser penalizados.

"Quando olhamos para os esforços de redução do défice [na União Europeia], Portugal foi dos que mais esforço fez", afirmou.

Sobre o risco de congelamento dos apoios comunitários, Carlos Moedas não quer comentar, já que o assunto está a meio da discussão e "vai haver uma discussão na próxima semana".

A Comissão Europeia teve na quarta-feira uma primeira discussão sobre o processo de sanções a Portugal e Espanha mas ainda sem "quaisquer decisões" sobre multas, e a questão da suspensão parcial de fundos só deverá ser apreciada em setembro.

Numa conferência de imprensa para dar conta das decisões tomadas pelo colégio de comissários na sua reunião semanal realizada em Bruxelas, o vice-presidente Maros Sefcovic apontou que, relativamente à "primeira discussão sobre a situação orçamental em Espanha e Portugal", não foi tomada qualquer decisão, devendo a Comissão voltar a discutir as propostas de multas "na próxima semana".

Já quanto ao congelamento parcial de fundos estruturais para 2017, a que a Comissão deve legalmente proceder uma vez desencadeado, a 12 de julho, pelo Conselho Ecofin, o processo de sanções aos dois países devido ao défice excessivo, a questão só deverá ser abordada na "rentrée", já que o Parlamento Europeu solicitou ao executivo comunitário um "diálogo estruturado" sobre esta matéria, anunciou, na altura, o comissário.